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Agente da inteligência militar ianque no Iraque escancara:

Zarqawi é mito criado para servir a interesses dos EUA

“Nós estamos basicamente pagando até 10 mil dólares por vez a oportunistas, criminosos e vigaristas que fazem passar ficção e suposições sobre Zarqawi como se fossem um fato inquestionável, apresentando-o como a peça-chave de praticamente todo ataque no Iraque”, disse o agente ao jornal “Daily Telegraph”

Agentes da inteligência militar dos EUA disseram ao jornalista Adrian Blomfield, do jornal inglês “Daily Telegraph”, que Abu Musab al Zarqawi é “mais um mito que um homem”, e revelaram como o governo dos EUA age para catapultar o personagem, com dados forjados.

É simples como isso ocorre. “Nós estamos basicamente pagando até 10 mil dólares por vez para oportunistas, criminosos e vigaristas que fazem passar ficção e suposições sobre Zarqawi como se fossem um fato inquestionável, apresentando-o como a peça-chave de praticamente todo ataque no Iraque”, disse o agente. Em suma, “eles dizem os que nós queremos ouvir”.

O agente acrescentou que “nos EUA, essa bobagem é gratamente recebida e forma a base de decisões políticas. Nós precisamos de um vilão, alguém identificável à compreensão do público, e nós conseguimos um”. É assim que Bush fabrica a imagem de Zarqawi como imaginário “líder principal da insurgência”, o mais tangível “vínculo com Osama Bin laden”, e a “prova” de que o antigo regime tinha laços com a Al Qaeda - embora até o Congresso dos EUA tenha reconhecido que tais laços nunca existiram. 

 PRETEXTO PARA CRIMES 

Posteriormente, à medida que Faluja emergiu como o símbolo da Resistência ao invasor, o governo Bush passou a dizer que é ali que Zarqawi se encontra, e por isso a cidade tem de ser bombardeada e tomada de assalto. Os líderes de Faluja sempre negaram que Zarqawi - se existe - esteja na cidade insurreta. Muitos acreditam que Zarqawi foi morto no Afeganistão e que seu nome vem sendo usado em operações da CIA com bandeira trocada.

Como apontou Blomfield, as “estimativas” do Pentágono têm colocado o número de combatentes estrangeiros na região “como 5.000”. Mas isso é terminantemente negado pelos agentes atuando em campo. “O sentido geral da informação que obtivemos é que o número de combatentes estrangeiros não excede várias centenas e é talvez tão baixo quanto 200. Da informação que nós colhemos, temos de concluir que Zarqawi é mais um mito que um homem. Ele não tem o calibre que muitos políticos querem acreditar que ele tenha”. Pode ser, avaliou essa fonte, que “em algum estágio, e talvez mesmo agora, ele quase certamente esteve por trás de seqüestros”. Mas - afirmou - se há um líder principal da insurgência “ele tem de ser um iraquiano”. 

“FALAM O QUE QUEREMOS OUVIR” 

Os mesmos agentes reclamam que seus relatórios para Washington são amplamente ignorados, enquanto a CIA se encarrega de asseverar que Zarqawi está em Faluja. O que é o pretexto para os EUA bombardearem a cidade com aviões F-16, anunciando diariamente ataques “cirúrgicos” em “redutos de Zarqawi”, que depois a TV mostra como casas e até restaurantes em destroços, com crianças e mulheres mortas. Da mesma forma que mentiam sobre as “armas de destruição em massa”, que não existiam, exigindo que o Iraque as entregasse ou sofresse a agressão, agora o governo Bush exige que Faluja entregue Zarqawi, que todos os lideres negam estar lá, ou será agredida.

Zarqawi - ou os que falam dizendo tratar-se dele - também parece sempre fazer o que é conveniente ao governo Bush. Ou, como disse o agente da inteligência militar, “falam o que nós queremos ouvir”. O mais recente disso, o anúncio “oficial”, em plena campanha eleitoral em que o tema é o desastre no Iraque, de que se tornou o braço da Al Qaeda no Iraque, feito no dia 17 de outubro. O que cai como uma luva para um Bush encurralado nas cordas pelo democrata Kerry. Naturalmente, tudo o que “confirma” o anúncio é uma mensagem via internet... Aliás, a Al Qaeda, que é conhecida pelo profissionalismo no que faz, com os resultados que se conhecem, é notória pela circunspeção, evitando expor-se ao máximo e sequer assumindo categoricamente o que faz. Tudo o contrário de Zarqawi. Antes do “anúncio” de outubro, o que era apresentado por Washington era a “descoberta”, em janeiro, por capachos “curdos”, de um disquete de computador, com um rascunho de suposta carta a Bin Laden, em que Zarqawi prometia “ser o soldado de maior prontidão, cumprindo suas ordens e sem dúvida expondo fidelidade a você publicamente e na mídia”.  A propósito, a “carta” propunha uma “guerra sectária entre xiitas e sunitas” - o que, evidentemente, só interessava ao invasor ianque e aos colaboracionistas. 

SEM PROVAS 

Foi esse “rascunho” em um reles disquete que serviu para Bush, em junho, alegar ser “Zarqawi a melhor evidência da conexão com os afiliados da Al Qaeda e com a Al Qaeda”. A desculpa que precisava para tentar se esconder da denúncia de Kerry, de que tirou de foco a sua alegada “guerra ao terror” para invadir o Iraque, onde não havia terror algum. Diplomatas disseram ao jornalista inglês que “a carta foi certamente um embuste. Os dois homens podem ter se encontrado no Afeganistão mas parece que eles nunca se deram e que houve um intervalo de vários anos”.

AP   

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