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Maiores referências do Choro em maratona musical no Rio Festival Rio Choro reúne grupos, trios, duetos e solos dos mais importantes representantes do gênero. Evento terá também mostra fotográfica, livros e CDs Numa verdadeira maratona musical, acontece no Rio de Janeiro o “Festival Rio Choro”, que reunirá nos dias 5 e 6 de novembro, 10 apresentações, entre grupos, trios, duetos e solo, das mais importantes vertentes do gênero, indo da tradicional à mais recente. O repertório do Festival vai passar pela sofisticação de Ernesto Nazareth, Pixinguinha, Jacob do Bandolim, Radamés Gnattali, Garoto e Waldir Azevedo, até os contemporâneos Wagner Tiso, Maurício Carrilho, Luciana Rabello e Hermeto Paschoal. No programa os participantes irão mostrar o que há de melhor no chorinho, através dos conjuntos Época de Ouro, Tira Poeira, Regional Carioca e Água de Moringa; a pianista Maria Teresa Madeira, o sexteto de Maurício Carrilho, Trio Madeira Brasil, o violonista Turíbio Santos, o cavaquinista Henrique Cazes e o flautista Altamiro Carrilho, uma das grandes referências do gênero. O grande mestre da flauta irá encerrar o Festival. Vale aqui falar de alguns dos participantes que continuam fazendo história deste gênero genuinamente brasileiro. Grupo instrumental formado por Jacob do Bandolim, o Época de Ouro, teve grande importância no movimento de resistência do choro, na década de 60. Ainda com Jacob, o Época lançou os discos “Chorinhos e Chorões”, “Primas e Bordões” e “Vibrações”. Depois da morte de Jacob, em 1969, o grupo se desfez por alguns anos, voltando em 73 sob o comando de César Faria, a convite de Paulinho da Viola, para o show “Sarau”. Muitos dos veteranos da formação tradicional ainda estão em atividade, como César Faria, Dino 7 Cordas e Jorginho do Pandeiro. Destacamos também o grupo Trio Madeira Brasil formado por Ronaldo do Bandolim, integrante do Época, Zé Paulo Becker e Marcello Gonçalves, considerado uma das melhores novidades surgidas no universo da música instrumental dos últimos tempos, reunindo três virtuoses em torno de uma proposta artística ousada: fazer uma música ao mesmo tempo calorosa e bem acabada. A partir do lançamento de seu primeiro CD, em 98, o Madeira Brasil vem somando grandes êxitos em sua carreira, com muitas premiações e participações nos mais importantes eventos do gênero tanto no Brasil como no exterior. Considerado um dos maiores violonistas clássicos da atualidade, Turíbio Santos percorreu o mundo várias vezes, com críticas brilhantes nos principais centros musicais. Já gravou 40 LPs para Erato-RCA (Paris), Chant du Monde (Paris), e Kuarup (Rio de Janeiro), e editou coleções de partituras pela Max-Eschig (Paris) e Ricordi (São Paulo). Este monstro do violão já dividiu o palco com grandes celebridades musicais nacionais e internacionais, além de ter grande atividade junto aos músicos brasileiros, tendo redescoberto e regravado os compositores João Pernambuco, Garoto e Dilermando Reis. Em 83, idealizou e criou a Orquestra de Violões do Rio de Janeiro, com 25 de seus alunos da UNI-RIO e Universidade Federal do Rio de Janeiro. Recentemente criou a Orquestra Brasileira de Violões. Seus discos “12 Estudos para Violão de Heitor Villa-Lobos” e “Choros do Brasil” marcaram época no lançamento da música brasileira no mercado europeu. Também participante, Altamiro Carrilho fala um pouco de sua trajetória: “Aos cinco anos eu vi o filho do vizinho soprando uma flautinha de brinquedo e pedi ao Papai Noel uma igual. Aos onze comecei a estudar com um flautista amador, um carteiro, que tocava em igrejas, em rodas de choro e orquestrinhas da cidade. Depois comecei a estudar sério porque até então tocava meio de ouvido, como os cantores também cantavam de ouvido; as introduções a gente improvisava na hora, ficava mais leve. Nos anos 50, com o surgimento dos arranjos, tive que me esmerar mais nos estudos. Tive professores no México, EUA e URSS. Conheci Pixinguinha, Benedito Lacerda e Dante Santoro. Meu grande aprendizado de choro foi quando eu era ‘músico vira-lata’. Saía fuçando rodas de choro todo dia depois do trabalho. Eu gosto muito de improvisar! Não toco uma frase repetida, cada vez que eu toco é uma frase diferente.” Além de música, o evento traz luthier mostrando o processo de construção, afinação e manutenção de um instrumento e um mostra fotográfica com imagens históricas, e uma livraria especializada em choro, samba e música popular brasileira. Os CDs dos participantes do festival serão vendidos na oportunidade. Armazém 6 do
Cais do Porto: Avenida Rodrigues Alves. Dias 5 e 6. Às 20 horas. R$ 18,00.
Estudantes e idosos acima de 60 anos pagam meia. |