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Copom aumenta juros e sabota a economia

Juros altos provocam inflação, eles são a causa e não remédio contra ela. E ainda pretendem ter “autonomia” para ficar sem nenhum controle do povo

O aumento da taxa básica de juros, feito pelo Conselho de Política Monetária (Copom), na última quarta-feira, é um atentado ao caminho que o país escolheu, e está trilhando: o caminho do crescimento econômico, da produção e do emprego. Evidentemente, aumentar juros no momento em que estamos saindo de anos de estagnação, quebradeira e retrocesso significa tentar frear o crescimento e desviar para os especuladores o resultado do trabalho e do esforço do país para se reerguer – a começar pelo trabalho e esforço do presidente Lula, cuja política internacional, que executou pessoalmente, é a principal responsável pelos primeiros e bons resultados econômicos.

SERVILISMO

É ridículo que o Copom – ou seja, a diretoria do Banco Central, pois um e outra são a mesma coisa – alegue que aumentou os juros por causa de “ameaças inflacionárias”. No período imediatamente anterior, quase todos os principais índices de inflação tiveram queda, a começar pelo índice oficial, o IPCA. Também o INPC e  o índice da Fipe caíram. Dos índices importantes, somente o IGP-DI teve aumento. Este último é o índice mais influenciado pelo câmbio, isto é, pelo dólar – e é também o índice que Fernando Henrique, Serra e cia. deram de presente às empresas estrangeiras que açambarcaram estatais, para que reajustassem por ele as suas tarifas.

Não havia, como disse muito justamente o ministro José Dirceu poucos dias atrás, nenhuma ameaça de que a inflação ficasse fora de controle. E mesmo que houvesse pressões inflacionárias, aumentar os juros não é remédio para a inflação. Juros altos aumentam os custos das empresas, que, certamente, serão obrigadas a repassar esses aumentos de custo para os preços dos seus produtos. Ou fazem isso, ou entram no caminho que termina na falência. Portanto, os juros altos provocam inflação. Eles são causa, e não remédio, para a inflação.

Além disso, o Brasil já está com os juros na estratosfera. Na verdade, as taxas de juros daqui estão se revezando com as de mais apenas dois países no infeliz posto de a mais alta do mundo. O problema do Brasil, evidentemente, não é a inflação alta, mas os juros altos. São eles que estão entravando o investimento, numa hora em que o crescimento resultante da política do presidente Lula necessita urgentemente deles para ser mantido, ampliado e generalizado. Aliás, para que a inflação baixe mais ainda, será necessário que os juros baixem – e não que aumentem – e que a produção cresça, barateando os preços.

E, mesmo no caso hipotético de que a inflação pudesse ser combatida por juros altos, é evidente que outro método teria que ser achado para combatê-la. Esse – o de sangrar o país inteiro, sufocando as empresas, aumentando o desemprego e desviando os recursos do Tesouro, do trabalho e do empenho de toda a população para os bancos de Wall Street - é que não pode ser. Destruir a produção e as pessoas, ou seja, o país, é que não pode ser remédio para a inflação. Não pode e não é. Com efeito, os juros siderais devastam a produção, destroem o emprego, secam o Tesouro, matam os brasileiros, e cevam a inflação.

Numa economia como a brasileira, em que campeiam monopólios privados externos - graças aos elementos servis que até há pouco estavam no governo – as pressões inflacionárias são causadas exatamente pela ação desses monopólios, sempre à cata de arrancar superlucros, aumentando extorsivamente seus preços. É para isso que eles existem, essa é sua razão anti-social de ser, o assalto ao conjunto da população através de sobrepreços. É para isso que eles manietam, monopolizam o mercado, isto é, é para isso que eles são monopólios: para estabelecer preços de monopólio.

Aumentar juros não faz com que esses monopólios baixem os preços. Muito pelo contrário. Faz com que eles lucrem mais também através dos juros. Por um lado, para compensar a queda nas vendas – juros mais altos levam a menos dinheiro no bolso e a crédito mais caro para o povo – eles aumentam, e não diminuem, seus preços. Por outro, eles, que sempre são ligados - em geral controlados - por bancos de seus países de origem, isto é, são sobretudo monopólios financeiros, e só secundariamente monopólios industriais e comerciais, passam, com o aumento dos juros, também a aumentar seus lucros com a especulação.

Portanto, não é apenas ridícula a alegação do Copom. É, igualmente, estúpida. Aliás, no mesmo dia da reunião do Copom, o ex-ministro Delfim Neto, que não é propriamente um progressista, mas não é burro, mostrou exatamente isso em um artigo na imprensa.

O aumento dos juros é, portanto, um regalo dado aos causadores da inflação, aos assaltantes da população, aos bloqueadores do desenvolvimento. O que esse aumento estimula é a especulação em detrimento do empreendimento produtivo, a esterilização de recursos na agiotagem e sua fuga da produção.

O leitor perguntará: por que então o Copom aumentou os juros, contra a política do presidente Lula, contra o governo, contra os empresários, contra os trabalhadores e contra o país? Por servilismo, leitor. Simplesmente, o servilismo aos especuladores, aos banqueiros americanos e outros, é um reflexo para essa gente. Eles não pensam: ao invés disso, têm reações estereotipadas, ou seja, sempre iguais e na mesma direção. Assim, por exemplo, como se referiu o deputado Delfim, inventaram a “teoria” de que qualquer crescimento além de 3,5% é um desastre, a inflação fica descontrolada e, portanto, esse crescimento precisa levar um pau - quer dizer, um aumento de juros. O Brasil, um dos maiores e mais ricos países da Terra, não pode crescer mais do que isso, como cresceu no último semestre, que é um desastre. E, conseqüência inevitável, o povo brasileiro, se depender deles, está condenado a vegetar na miséria e no desemprego, pois basta começar a recuperar-se que eles aumentam os juros.

Toda essa história de “3,5%” – e outras -, evidentemente, é racionalização, ou, como diz o pessoal lá em Caruaru, arrodeio para entregar o ouro aos banqueiros de Wall Street. E ainda querem “autonomia”, carta branca, para fazer isso, ou seja, nenhum controle por quem foi eleito pelo povo, e garantia de que quem quer que esteja no governo, eles vão continuar a sabotar o país e privilegiar magnatas externos sem ser incomodados.

SABOTAGEM

Há dias, o presidente Lula manifestou a vontade de reintegrar trabalhadores e empresários no Conselho Monetário Nacional (CMN). Muito justo. Por sinal, antes a função de apreciar os juros era tarefa do CMN, composto por representantes do governo, dos empresários e dos trabalhadores. Fernando Henrique praticamente acabou com esse conselho, retirando dele os empresários e trabalhadores. Depois, as funções do CMN foram dadas à diretoria do BC, travestida de Copom, o que é uma aberração. A política monetária e seu principal aspecto, as taxas de juros, não podem ser decididas pela diretoria do BC sem dar satisfações a ninguém. É evidente que os trabalhadores, os empresários e o governo, que são os afetados pelas decisões sobre juros, têm o que dizer e o que decidir a esse respeito. Trata-se de uma decisão política, uma decisão de política monetária, de política econômica, que atinge o país todo. Claro está que tanto os trabalhadores, quanto os empresários, quanto, sobretudo, o governo, que foi eleito para governar, não podem ficar à mercê de um conciliábulo de servos de especuladores que não foram eleitos por ninguém.

E por razões óbvias: o esforço de todos para crescer, o esforço do presidente, do governo, dos trabalhadores e dos empresários, não pode ser sabotado por uma penada cometida numa reunião da qual todos, inclusive o governo eleito, estão excluídos - e são relegados a um único papel: o de sofrer as conseqüências.

CARLOS LOPES 

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