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O Duo Nelson Freire e Martha Argerich: Os maiores nomes do piano clássico da atualidade, em SP O duo de pianistas, considerados dos mais importantes da atualidade, apresenta um programa que vai de Brahms a Ravel. Este concerto faz parte do projeto Mozarteum que traz 22 espetáculos, destacando-se 3 concertos ao ar livre gratuitos N a próxima segunda (20) e terça-feira (21), o duo Nelson Freire e Martha Argerich, dois dos maiores nomes do piano clássico da atualidade, estarão se apresentando, na Sala São Paulo, fazendo parte do projeto Mozarteum Brasileiro, que traz 22 espetáculos ao longo de 2004, com destaque para oito grandes atrações internacionais e três concertos ao ar livre gratuitos, compondo o calendário da instituição. A argentina Martha Argerich e o brasileiro Nelson Freire irão mostrar suas personalidades musicistas através de seus toques pessoais, com um repertório que vai de Brahms em Variações sobre um Tema de Haydn Op. 56b e as Variações sobre um Tema de Paganini, de Lutoslawski; indo até La Valse, de Ravel, na versão anterior à orquestral, e a Suíte nº 2 Op. 17, de Rachmaninoff. “Acho que esse duo só existe para a gente ficar junto. Recentemente tocamos na Sala Gaveau em Paris e, neste ano, também tocamos juntos no Japão”, explicou Nelson Freire. O pianista, neste momento, é vizinho da pianista no 16º distrito de Paris. “Ela comprou uma casa na frente da minha para a gente poder se ver mais”, conta. Nelson Freire e Martha Argerich são amigos há mais de quatro décadas. Eles se conheceram em Viena. Nelson explica que foi em 1959: “Eu tinha 14 anos e a Martha já era uma lenda viva, com dois prêmios internacionais, o de Genebra e Busoni. Tempos depois, a gente se reencontrou para estudar e aí nasceu esta amizade”. Foi a pianista que apresentou Nelson para Errol Garner, Ella Fitzgerald e Art Tatum, levando-o a conhecer mais profundamente a música do século 20 e a obra de Schubert. Nelson Freire teve uma infância complicada. Mineiro, da cidade de Boa Esperança, foi vítima de várias alergias, sendo a Europa, uma grande descoberta sua. Ele conta que, “na Europa tinha uma independência enorme para um garoto de minha idade. Acabei não me preparando para um concurso que iria fazer. A mãe de Martha, que era muito temperamental, entrou sem avisar em nosso apartamento e me pegou dormindo. Me acordou com um balde de água gelada. Mais tarde ela cuidou de me expulsar da casa”, lembra. Hoje, com 59 anos de idade, Nelson Freire é considerado um dos maiores pianista da atualidade. Teve gravações consideradas como um referencial. “É um dos pianistas mais empolgantes de todos os tempos”, escreveu certa vez uma revista estrangeira. Com o CD com os Estudos, de Chopin, o pianista foi considerado a adição de Alfred Cortot, pela alma, e de Maurizio Pollini, pela sua técnica. Já Martha, foi agraciada como uma celebridade muito cedo. Com 16 anos, já era uma artista profissional internacional. Sua gravação de Chopin, sua especialidade, em 65, até hoje é considerada antológica. “Seu estilo energético e apaixonado continua a seduzir platéias de todo o mundo. Só não diga que ela toca como um homem. É a primeira coisa que ela diz detestar ouvir”, comenta Nelson. Para quem não for assistir a este esplêndido recital, no entanto, poderá adquirir um CD, recém lançado. Já, de Nelson Freire, existe uma caixa de DVDs trazendo o filme do cineasta João Moreira Salles sobre ele. Intitulado “Nelson Freire”, o filme conta a história do menino do interior de Minas Gerais que se tornou unanimidade internacional. A película, que foi filmada no Brasil, na Bélgica, na França e na Rússia, mostra a rotina do pianista em concertos e recitais, desde do seu primeiro contato com seu instrumento até a recepção dos admiradores no camarim. À trilha, Nelson Freire interpreta Brahms, Tchaikovsky, Chopin, Bach, Villa-Lobos, Gluck, e interpreta Rachmaninoff a quatro mãos com Martha Argerich. São mais de 90 minutos de extras, com a íntegra do concerto nº 2 de Rachmaninoff com a Filarmônica de São Petersburgo. O filme é um documentário de 2003, com direção de João Moreira Salles; roteiro de Flávio Pinheiro, João Moreira Salles e Felipe Lacerda; direção de fotografia de Toca Seabra; montagem de Felipe Lacerda e João Moreira Salles, com a distribuição da Riofilme. Sala São Paulo
(Martha Argerich & Nelson Freire): Pça. Júlio Prestes, s/nº, SP. Dias 20
e 21 de setembro, às 21 horas. Informações: 3337-5414.
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