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Empresários condenam juros altos e metas inflacionárias de Meirelles

“Crescimento da economia é abatido a tiros pelo BC”

“Você acredita que o País não pode crescer mais, aumenta o juro, e aí o País realmente não cresce. É preciso ousar e deixar o país crescer”, conclamam os empresários

Defendendo que a agenda principal para as próximas eleições e o futuro governo deve ser o desenvolvimento econômico, empresários ligados à Federação das Indústrias do Estudo de São Paulo (Fiesp) e Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi) criticaram o chamado PIB potencial, estimativa de crescimento utilizada pelo BC para que meta de inflação seja atingida. “É como se estivéssemos condenados a não crescer mais do que 3,5%. Toda vez que chegamos próximo a isso, a economia é abatida a tiros pelo BC”, afirma o presidente do Iedi e da Coteminas, Josué Gomes da Silva, para quem o PIB potencial é como uma profecia que se auto-realiza. “Você acredita que o País não pode crescer mais, aumenta o juro, e aí o País realmente não cresce”.

“Somente com uma taxa de crescimento superior à média ridícula de 3,5% ao ano, registradas nas duas últimas décadas, o Brasil dará o pontapé decisivo para resolver seus problemas. Se o País não crescer, não vamos resolver nossos problemas, especialmente os sociais”, disse.

Para o empresário, a preocupação exclusivamente com os índices inflacionários não pode se tornar em amarra a uma política de desenvolvimento, como ocorre atualmente com a condução da política monetária, que mantém os juros lá em cima para que seja atingida a meta de inflação definida – 4,5% este ano.

O presidente do Iedi não economiza nas críticas à política monetária. “A sociedade deve acreditar mais no setor produtivo do que nos formuladores de política econômica. Nós entendemos muito mais de economia real do que a Febraban e a equipe econômica”. 

FOSSO 

Para os industriais, é preciso inverter a lógica que predomina nas decisões da diretoria do Banco Central. “É preciso ousar e deixar o país crescer”, ressalta Paulo Francini, diretor do Departamento de Economia da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), que critica ainda o BC por desconhecer a economia real. “Há um grande fosso entre a economia real e a equipe econômica. Nunca ninguém do Banco Central nos procurou para conversar sobre as condições do setor real, PIB potencial, preços”.

Eugênio Staub, da Gradiente, lembra que é possível crescer a índices superiores a 3,5%, sem que, com isso, decorra alguma surto inflacionário. “Desde 2003, a taxa de crescimento do setor em que atuo tem sido muitas vezes superior à da expansão da economia. Não só houve capacidade para fazer a produção e atender a demanda como os preços caíram”. 

LÁSTIMA 

Na defesa da agenda de desenvolvimento, o presidente da Natura, Pedro Passos, diz ser “lastimável” que a política econômica seja focada apenas no controle da inflação. “É inadmissível que alguém limite e nos condene ao não crescimento, 2,3% a 4% não dá. Se é esse o plano, vamos mudar o plano”. Para ele, “a estabilidade dos preços já é um patrimônio da sociedade brasileira e ninguém vai permitir irresponsabilidades nessa área”.

Recente pesquisa da Fiesp com mil empresas, realizada no segundo trimestre do ano passado, demonstra que é possível aumentar a produção industrial em 57% com a adoção de horas extras, novos turnos de produção e pequenos investimentos. “Gargalos setoriais podem ser resolvidos com políticas específicas, como uma redução temporária de alíquotas de importação ou um incentivo localizado, mas a indústria tem flexibilidade para atender a um aumento de demanda”, argumenta Francini.

Segundo a Fiesp, a indústria opera com a média de utilização de capacidade de 67,5%. O maior nível de utilização atingiu 82,1%, de julho de 2004 até hoje, na média. Para atingir essa capacidade, as indústrias utilizaram, em média, 7,2% de horas extras sobre as horas normais trabalhadas. Com turnos adicionais, a produção poderia crescer 28,8%.

Há todas as condições para o crescimento da indústria brasileira, diz a Fiesp, valendo-se de investimento, utilização da capacidade ociosa e de novas tecnologias. Para isso, é, entretanto, é preciso cortar as amarras do crescimento impostas pela equipe econômica de crescimento máximo de 3,5%.

VALDO ALBUQUERQUE

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