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“Não vou fazer o jogo da oposição”, afirmou Lula

Em conversa com Thomaz Bastos, o presidente disse que tucanos e pefelistas “passaram dos limites” e ainda recomendou ao ministro: “vai pra cima deles”

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou na quinta-feira passada que tucanos e pefelistas “passaram dos limites” nas calúnias a Márcio Thomaz Bastos. “Vai pra cima deles”, recomendou Lula ao ministro da Justiça. “Eu não vou fazer o jogo da oposição”, disse. “O ministro está muito tranqüilo e está seguro de que não fez nada de errado”, assinalou o presidente Lula, em defesa do ministro Thomaz Bastos.

CAMPUS

O ministro da Justiça, que se ofereceu para ir ao Congresso Nacional na próxima quinta-feira, declarou que ficou profundamente indignado com a invencionice da “Veja” de que, na reunião na casa de Palocci com o advogado Arnaldo Malheiros, dia 23, foi proposto na sua presença R$ 1 milhão a quem assumisse a quebra do sigilo bancário do caseiro. “Nem passou por perto, é absolutamente inverossímil que essa conversa tenha ocorrido comigo, ministro da Justiça, e com o Arnaldo, que haviam acabado de conhecer. Isso é surrealista, na realidade não tem nem aparência de verdade”, denunciou. “É uma invenção, estão envenenando”, completou Thomaz Bastos.

Em discurso na visita ao local das futuras obras de um campus da Universidade Federal de São Carlos, em Sorocaba, na semana passada, o presidente Lula disse que é preciso que a oposição deixe de ser “mesquinha e pequena e passe a trabalhar pelo país”.

O presidente disse também que os ataques que ele tem sofrido da oposição resultam do incômodo causado a seus adversários pelos resultados positivos de sua administração. “O que deixa a oposição muito nervosa é o crescimento econômico. Tem muita gente incomodada com o crescimento do emprego, das vagas nas universidades e porque as crianças estão comendo melhor”, disse.

“O que nós estamos fazendo no Brasil é preparar este país para se transformar numa grande potência no século XXI”, salientou Lula. “O Brasil já foi e ainda continua sendo um grande exportador de café, o Brasil já foi e é um grande exportador de minério de ferro, o maior exportador de carne de frango, o maior exportador de suco de laranja, mas o Brasil será potência mundial no dia em que a gente estiver exportando conhecimento, inteligência, quando estivermos exportando essas coisas que significam valor agregado para um país”, prosseguiu.

Ele criticou o descaso de seu antecessor com a área social e com a educação e disse que retomou as funções que foram abandonadas pela gestão tucana. “É importante lembrar”, disse o presidente, “que, em 1998, foi aprovada uma lei tirando do governo federal a responsabilidade pelo ensino técnico”. “A lei  dizia que o ensino técnico só poderia ser possível em convênios com ONGs, ou se uma prefeitura pudesse custear ou se o estado pudesse custear”, lembrou. “O que aconteceu, de fato, é que as ONGs não podiam, a maioria das prefeituras não podiam e o estado não pode”, revelou Lula.

“Hoje, estamos assumindo a responsabilidade de trazer para o governo federal, outra vez, a formação profissional dos nossos jovens, com as escolas técnicas subordinadas ao governo federal”, disse. “Até junho devemos inaugurar 25 e, aqui, em São Paulo, 18 Cefets que as ONGs não podem administrar”, acrescentou.

“Se vocês pegarem o que aconteceu de 1995 a 2002, vocês vão perceber que, no Brasil, foi feita apenas uma universidade, a Universidade de Palmas, na cidade de Tocantins, que ainda sim fomos nós que tivemos que colocá-la para funcionar”, lembrou. “Pois bem”, prosseguiu Lula, “estamos fazendo quatro universidades federais novas, estamos transformando seis faculdades em universidades e estamos criando 43 extensões universitárias”.

REZA

“É o nosso trabalho que os deixa inconformados”, disse Lula, referindo-se aos tucanos. “Então, eles ficam torcendo, ficam torcendo, trabalhando, eu acho que até rezando para não dar certo”, prosseguiu. “Mas eles não sabem que antes de eu chegar lá, eu apanhei muito, neste país. Antes de eu chegar lá, eu apanhei muito e aprendi, como dirigente sindical, como é que se faz as coisas”. “E, portanto, vamos enfrentar, com a mesma sobriedade que enfrentamos momentos muito mais difíceis. E, se Deus quiser, vocês vão ver o que vai acontecer no final do ano”, completou o presidente.   

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