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Antonio Carlos Spis, da Coordenação dos Movimentos Sociais: “Fórum Social será afirmação da soberania e do desenvolvimento” Spis ressaltou que o II Fórum Social Brasileiro, que inicia nesta quinta em Recife, será um espaço de diálogo e reflexão para avançar nas conquistas Entre os dias 20 e 24 de abril, será realizado em Recife o II Fórum Social Brasileiro (FSB). Como a Coordenação dos Movimentos Sociais analisa o evento? Como importante espaço de diálogo e reflexão para a afirmação de propostas de construção de um modelo de desenvolvimento soberano, de inclusão e justiça social. Da mesma forma que o Fórum Social Mundial em Caracas refletiu os avanços e conquistas obtidos neste último período, particularmente na América Latina, com a vitória de candidatos que se opõem à política de devastação do desgastado figurino neoliberal imposto pelo imperialismo, temos a convicção de que o FSB também trilhará o mesmo caminho. É uma conjuntura rica, com a vitória das forças nacionais. A guinada de vários governos à esquerda muito tem contribuído para elevar a relação com os movimentos sociais a um novo patamar, resguardando sua liberdade e autonomia, potencializando ações comuns. De nossa parte, acreditamos que, por tratar-se de um ano eleitoral, abrem-se melhores condições para sensibilizarmos o governo a refletir e somar-se conosco nesta mudança de rumo. Qual é o gargalo? Temos a convicção de que a ruptura com o modelo excludente ditado de fora pelas transnacionais e pelo capital financeiro é a questão central que emperra o livre desenvolvimento dos nossos países e povos. Afinal, como atender as imensas e crescentes demandas por emprego, salário, saúde e educação, sem enfrentar a lógica excludente da dependência, da sangria dos recursos nacionais – públicos e privados – para o pagamento de juros estratosféricos aos banqueiros? Como fazer as mudanças necessárias com os postos chaves da economia nacional nas mãos dos que nos legaram a herança maldita? Este é o nó que aprisiona a ruptura, pois converte o Estado público em marionete dos interesses mais do que privados, deixando milhões de brasileiros na posição de entes passivos de uma história mal contada, quando querem ser agentes da transformação. E a batalha eleitoral? Acreditamos que a própria dinâmica do processo eleitoral em curso dá condições para que o governo reflita sobre os ataques da direita e de setores da mídia à caça de escândalos e erga pontes, renovando seus laços com o movimento social organizado. Assim como fomos às ruas no ano passado para fazer frente à sabotagem política, econômica e moral, patrocinada pelo reacionarismo, e sustentamos a governabilidade, agora é hora de uma intervenção mais firme para determinar o próprio conteúdo programático a ser defendido nas eleições presidenciais. E os inimigos na trincheira... As constantes sabotagens feitas por Meirelles e companhia deixam claro que não é com esse tipo de gente, nem sobre este prisma de aliança, que vamos conseguir avançar. Não conseguiremos caminhar unidos, como queremos e devemos, leiloando bacias petrolíferas ou mantendo juros e superávits primários nas nuvens. A própria lógica do confronto que se avizinha coloca o povo entre dois pólos e queremos somar e estar à frente do bom combate, com nossas bandeiras por inteiro, não pela metade. E a herança maldita? Se houve inequívocos avanços na política internacional, se derrotamos a Alca e a política vergonhosa da poliglota submissão - dita nos mais variados idiomas e nas mais absurdas posições pelo desgoverno FHC -; se começamos a valorizar o mercado interno, gerando milhões de empregos com carteira assinada e melhorando o salário mínimo; se barramos as privatizações do patrimônio público e a política de precarização de direitos, também sabemos que, por mais importância que tenham, ficaram muito aquém das expectativas da grande massa de oprimidos por séculos de dominação. Massa que pela desinformação e pela manipulação da grande mídia também fica vulnerável à demagogia e às mentiras do direitismo tucano-pefelista. Quais os próximos passos da CMS? O compromisso da Coordenação dos Movimentos Sociais é justamente o de criar alternativas, mobilizando, colocando o povo na rua, conscientizando sobre o seu papel como sujeito ativo. O Fórum Social Brasileiro será uma excelente oportunidade para aprofundarmos este debate e apresentarmos com maior clareza e visibilidade nossas propostas à sociedade. LEONARDO SEVERO |