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UNE defende unidade nacional “contra volta da turma de FHC”

“A UNE não quer a volta dos tempos sombrios de Paulo Renato, Serra e FHC, quando a Educação foi sucateada e a própria UNE atacada com a antidemocrática MP 2208”, afirma o documento aprovado no Coneb, que reuniu 5 mil estudantes

Reunidos na Unicamp, em Campinas, representantes de quase dois mil Centros Acadêmicos de todas as regiões do país participaram do 11ª Conselho de Entidades de Base (Coneb) da União Nacional dos Estudantes (UNE). “A UNE não quer a volta dos tempos sombrios de Paulo Renato, Serra e FHC, quando a Educação foi sucateada e a própria UNE atacada com a antidemocrática MP 2208”, afirma o texto aprovado pelos delegados presentes. Segundo o presidente da UNE, Gustavo Petta, “este que é maior Coneb da história da UNE, é símbolo da nova fase da UNE que representa os diversos segmentos e os diversos setores que atuam nas universidades brasileiras. O movimento estudantil tem que se preparar para combater a volta da direita”.

Foram três dias de conferências, painéis, debates em grupo e plenárias que abordaram vários temas como um projeto de desenvolvimento para o Brasil, a integração latino-americana, a luta pela mudança na política econômica, a democratização dos meios de comunicação, a política energética e os rumos da Educação.

Os estudantes aprovaram a luta em defesa da universidade pública e gratuita e lançaram a campanha contra a entrada do capital estrangeiro na Educação. Para o estudante de medicina da UFRJ, Ubiratan Cassano, “nosso principal objetivo é a aprovação da Reforma Universitária, que foi amplamente construída pela UNE e que nos próximos meses será votada com a mobilização dos universitários de todo o Brasil, representando assim uma ampla democratização no ensino”. 

Outro resolução importante do Coneb foi a nova forma de organização do congresso da entidade. Para Rodrigo Andrade, diretor da UNE, “no nosso próximo congresso teremos condições de mobilizar centenas de DCEs e milhares de CAs, fortalecendo a luta dos estudantes brasileiros para enterrar de vez a herança neoliberal e aprofundar as mudanças que o nosso país precisa”.

O tema central do 11º Coneb foi a construção de um projeto de desenvolvimento para o Brasil. Logo na abertura do encontro, os estudantes contaram com as contribuições de personalidades que destacaram que Brasil precisa de um projeto que estimule o crescimento econômico, com justiça social, valorização do emprego e distribuição de renda.

Para o ex-presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e professor de economia da UFRJ, Carlos Lessa, “na minha avaliação pessoal, o Fernando Henrique quase acabou com o Brasil”. Lessa classificou a política de Meirelles e Palocci como um “pesadelo”, e propôs um “desenvolvimento eqüitativo e soberano para o Brasil”. Segundo o ex-ministro da Ciência e Tecnologia, Roberto Amaral, “nós somos um espaço geográfico à espera de um destino que só pode ser construido com mobilização do povo”. Segundo ele, devem compor esse projeto duas ações essenciais: a integração nacional, “que tem o desafio de superar as desigualdades e a exclusão” e a integração da América do Sul, “para unir os governos e enfrentar ameaças como as da Alca”.

Para o deputado federal Arlindo Chinaglia (PT-SP), que fez um panorama dos avanços do governo federal, “nós temos que disputar um projeto e entender porque se produziu a maior unidade da direita dos últimos tempos, dessa direita assanhada e corrupta que tenta destruir o que vem sendo construido pelo governo”.

“O nosso maior desafio é evitar o retorno da direita, que está se unificando em torno de um candidato nitidamente reacionário. Alckmin é o homem da Opus Dei – seita fascista criada na Espanha. Ele está encabeçando um programa ultraliberal”, destacou o jornalista Altamiro Borges, coordenador do Instituto Maurício Grabóis e membro da secretariado do Comitê Central do PCdoB. Também participaram do debate o representante da CUT no comitê do Fórum Social Mundial, Gustavo Cordas e o advogado Plínio de Arruda Sampaio.

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