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Romano Prodi, líder da coalizão vencedora das eleições parlamentares da Itália, afirma:

“No 1º dia de governo vamos retirar as tropas do Iraque”

Sobre a choradeira do capacho Berlusconi, que se nega a aceitar a derrota e o resultado do voto popular, ele afirmou: “Quanto mais longa a tempestade, mais bela será a vitória"

“Já basta. Chegou o momento de trabalhar e estou tranqüilamente trabalhando na formação do futuro Governo, e isto é o que precisa ser feito. O país precisa respirar, voar alto e se recuperar", afirmou o líder da coalizão vitoriosa nas eleições parlamentares da Itália, Romano Prodi, no domingo, dia 16, em Bolonha, cidade onde mora.

“O nosso país necessita alegria, precisa se recuperar, necessita respirar, se ascender. Eu já estou trabalhando com calma para o futuro governo e é isso o que deve ser feito”, completou.

“Alguém ganhou e o outro perdeu. Não adianta continuar tentando criar fatos na mídia, jogando desconfiança nas instituições do país. Afinal, isso se volta contra eles”, apontou se referindo à teimosia do atual primeiro-ministro Silvio Berlusconi, dono de uma grande rede de jornais e canais de televisão, que se nega a reconhecer a derrota.

E acrescentou que cada vez “que parece que as águas voltam a seu leito nasce uma nova polêmica". "E nascerão muitas mais. Tudo porque não se submetem ao resultado do voto popular. Uma vez que acabar tudo isto e aceitarem, o resultado da vitória será mais forte. Quanto mais longa a tempestade, mais bela será a vitória", disse.

ALIANÇAS 

Em entrevista à rádio “France Info”, ele afirmou que os partidos da aliança A União, vencedora das eleições dos dias 9 e 10 passados, “decidimos todos juntos, que o dia em que começarmos a trabalhar tomaremos a decisão de retirar as tropas do Iraque”.

Berlusconi, depois de tentar enganar os eleitores dizendo que retiraria as tropas de Bagdá no ano que vem, não manteve a palavra e eliminou de sua campanha eleitoral a questão que mobilizou centenas de milhares de italianos contra a guerra. A Itália participa com 2 mil 900 soldados das tropas invasoras do Iraque, sob comando do Pentágono.

A eleição italiana foi mais uma demonstração da disposição dos povos do mundo de acabar com a política de ingerência e unilateralidade aplicada pelo governo dos Estados Unidos. Na Europa, a derrota de Berlusconi, após a de José Maria Aznar na Espanha, aponta o futuro do outro capacho do império, o inglês Tony Blair.

A coalizão A União, depois de ganhar a maioria na Câmara dos Deputados, obteve vitória também no Senado por duas cadeiras de diferença. O Ministério do Interior anunciou na sexta-feira, dia 13, que não exista nenhuma “fraude massiva”, como vociferava Berlusconi para não aceitar o resultado eleitoral. “Só 5 mil 266 votos foram impugnados por erros cometidos ao ter somado cédulas impugnadas e votos em branco”, precisou. Não há nada dos milhares de votos irregulares que o governo apresentava.

“A coesão da nossa aliança é chave. Não será fácil, mas se nos propomos dirigir o país e realizar as mudanças necessárias, que não são poucas, saberemos trabalhar com uma maioria que é muito heterogênea”, frisou Prodi, em relação à coalizão que agrupa 16 partidos, entre os quais comunistas, socialistas de esquerda, radicais, verdes, democráticos de esquerda.

Na Itália, o presidente é eleito pelo Parlamento e deve contar com a maioria dos deputados e senadores. Para o dia 28 de abril está marcada a eleição dos presidentes da Câmara e do Senado. Em 11 e 12 de maio começarão as eleições para presidente da República. E depois de 18 de maio, uma vez realizada a mudança no Palácio do Quirinal, hoje ocupado por Carlo Ciampi, Romano Prodi será formalmente Chefe de Governo.

SUSANA SANTOS   

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