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Cartas

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Iraque e Irã

Diante da derrota iminente no Iraque, manda a lógica e a razão que se retire o time de campo, sob risco da coisa ficar ainda mais feia para o exército agressor. Mas parece que no caso de Bush a lógica e a razão não são boas conselheiras. Como a insanidade anda extravasando naquele governo, achou-se de bom tamanho arrumar encrenca também com o Irã, pois miséria pouca é bobagem. Pior pra eles, que terão que engolir, mais cedo ou mais tarde, a surra colossal dada pela Resistência. E, no caso do Irã, a coisa é ainda mais embaixo, pois a ONU não teve tempo de ficar dez anos desarmando o país para facilitar a entrada dos EUA. É lá que o circo de Bush vai pegar fogo ainda mais rapidamente. Estou pagando pra ver. Aliás, já comprei até o meu ingresso.

Paulo C. Durval - São Paulo (SP) 

Exemplo de Chávez

Durante seu primeiro mandato, o presidente George W.Bush se preocupou apenas em como controlar o petróleo do Oriente Médio. Com o inverídico argumento de que o Iraque dispunha de armas de destruição em massa, os EUA invadiram aquele país e se atolaram numa resistência que vem assombrando os “falcões” da Casa Branca, entre os quais se pode citar a secretária de Estado Condoleezza Rice. No início de seu segundo mandato, Bush filho decidiu olhar com mais cuidado para a América Latina, tendo enviado sua secretária de Estado ao Brasil, Colômbia, Chile e El Salvador, a fim de cooptar aliados contra o presidente venezuelano Hugo Chávez. Sem uma verdadeira avaliação do que ocorre na Venezuela, tampouco no restante da Ibero-América, os EUA julgaram suficiente apoiar o golpe de Estado contra Chávez ocorrido em 2002. Ademais, mesmo após o fracassado golpe, Chávez ainda se submeteu a um referendo popular para ver se continuaria no poder, tendo vencido os oposicionistas de forma legítima e contundente. A verdade é que Washington está de olho apenas no petróleo venezuelano e reconheceu que errou ao deixar a América Latina de lado, tendo percebido tardiamente que não tem mais um títere à frente daquele país. Tendo Chávez vencido as eleições e o referendo, qualquer argumentação contrária à sua legitimidade constitui apologia a golpe de Estado. Portanto, cabe ao Brasil decidir se vai continuar um país subserviente aos interesses estadunidenses ou tornar-se-á  protagonista de uma nova ordem sul-americana, baseada na integração regional.

Tenente Melquisedec do Nascimento – Presidente da Associação dos Militares e Especialistas (AMAE) - Rio de Janeiro (RJ) 

Impostos e juros

Circulam por aí e-mails sugerindo desde a adoção do voto nulo nas próximas eleições, até “movimentos de cidadania” exigindo a diminuição dos impostos cobrados pelo Estado. Pode-se encontrar mensagens similares nas seções de cartas dos jornais. Algumas reivindicações são justas. Mas outras merecem atenção, tanto nos apoiadores e promotores das sugestões e em seus argumentos, quanto nos princípios que os norteiam. Por exemplo, a mera redução de impostos não acarretará por si, e como mágica, em criação de vagas de empregos, como a sereia tem cantado sedutoramente. Como o Estado tem suas obrigações, cedo ou tarde, estas reduções vão cair na cabeça de quem não tem como contornar. Ou, então, diminuindo gastos para garantir o pagamento de juros aos credores. Desta forma, necessitando de recursos e, dependendo de quem esteja no poder, apelará às famigeradas privatizações para fazer caixa.

Humberto Amadeu Capellari – correio eletrônico 

Quebra de sigilo

O responsável pelo vazamento dos extratos bancários do caseiro Francenildo Costa foi... Existem certas interpretações que só devem ocorrer no Brasil. São muitas e se enquadram naquilo que se costuma chamar de invencionices para tornar iguais os desiguais e diferenciar os fatos e atos semelhantes. Só como exemplo, todos acusados confessos pelo mesmo crime, os irmãos Cravinhos amargavam a prisão, enquanto Suzane von Richthofen desfrutava os prazeres das praias. Agora se repete um engendramento terrível para se saber o óbvio ululante com relação a quem teria vazado os extratos bancários de Francenildo dos Santos Costa, caseiro da casa dos prazeres do ex-ministro da Fazenda. No Direito existem algumas peculiares com relação ao cotidiano, mas nunca foge à lógica. Poderia haver um responsável direto pelo vazamento e deve haver e não querem ver, mas apenas na condição de co-autoria. Qualquer um que tenha participado deve ser punido, não em razão de vontade, mas em respeito à Lei. Ora, bastaria perguntar se não tivessem violado a conta, teria havido o vazamento? A resposta define o responsável direto. Outros são co-autores.

Pedro Cardoso – São Paulo (SP)

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