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A marcha gigante para a auto-suficiência em 2005

Petrobras agora busca novos horizontes pesquisando energias renováveis

Impulsionada pela mobilização de todo um povo pela sua constituição, a Petrobras iniciou seus trabalhos a partir quase do nada: uma pequena refinaria e produção de 2.700 barris diários, frente a um consumo de 150 mil barris, em 1953. Era preciso construir, decifrar a extração e refino do petróleo, formar os técnicos e organizar os fornecedores. Passados 50 anos, como um símbolo da determinação, competência e auto-estima do povo brasileiro, tornou-se a maior empresa do Brasil e do Hemisfério Sul, uma das maiores do setor petrolífero no mundo, detentora de 12,6 bilhões de barris de reservas comprovadas, tecnologia de ponta mundialmente reconhecida, líder em águas profundas.

TECNOLOGIA

Nos anos 50, o óleo cru tinha preços irrisórios ditados pelo cartel das Sete Irmãs, mas que impunha preços salgados para a gasolina e outros derivados que importávamos. Era inadiável dominar a produção de combustíveis. Essa primeira auto-suficiência foi conquistada em 1961 com a construção da Refinaria de Duque de Caxias, antecedida em 1955 por Cubatão. Para isso foi preciso instituir o monopólio da importação de petróleo e derivados. Patamar que foi consolidado com a construção das refinarias de Gabriel Passos em Minas e Alberto Pasqualini no Rio Grande do Sul (1968), Paulínia, São Paulo (1972), Araucária, Paraná (1977), e São José dos Campos (1980). E depois a incorporação de outras refinarias, como a de Manaus.

Para tornar possível esse processo, e a nacionalização dos componentes e equipamentos, a Petrobras procedeu a uma vasta arregimentação de fornecedores, sob as severas normas de qualidade da empresa. Na década de 70, tornou-se o pilar fundamental para a constituição da indústria petroquímica brasileira. Impulsionou a indústria de base e a indústria naval com suas encomendas. Para ter a capacitação para criar a tecnologia brasileira do petróleo, havia criado, em 1963, seu centro de pesquisa, o Cenpes.

Na prospecção, a Petrobras dava grandes passos. Dominou a tecnologia da exploração de petróleo em terra – como expresso na descoberta em 1977 do gigantesco campo de Majnoon, no Iraque. Com a descoberta, em 1968, do campo de Guaricema, no litoral de Sergipe, estava aberto o caminho rumo às águas profundas. Em 1974, foi descoberto o campo de Garoupa, que revelou a Bacia de Campos. No final dos anos 80, grandes campos foram descobertos ali, como Marlim, Roncador e Jubarte, com as profundidades crescendo para mil, dois mil e três mil metros.

Na década de 70, com o “choque do petróleo”, tornou-se imperioso avançar na produção nacional: a conta da importação do petróleo ultrapassara os 10 bilhões de dólares. O Brasil criou o Pró-Álcool, que teve na Petrobras o seu elemento chave. Colocou como meta os 500 mil barris/dia de petróleo e investiu US$ 12 bilhões entre 1981 e 1985. Em apenas quatro anos, a Petrobras triplicou a produção, para 524 mil barris diários (1984). Foi preciso, ainda, converter as refinarias para o novo perfil da demanda e para o óleo pesado obtido na Bacia de Campos, o que foi feito através do Programa Fundo do Barril, com a obtenção de derivados nobres.

Duas inovações da tecnologia criada pela Petrobras foram decisivas nessa conquista: as plataformas semi-submersíveis em águas mais profundas a partir de 1982, e o Sistema de Produção Antecipada, de 1981. A adaptação das plataformas semi-submersíveis podia ser feita em seis meses, comparado com os três a quatro anos necessários para a fabricação e instalação de plataformas fixas. O Sistema permitiu que, simultaneamente, enquanto a jazida é pesquisada, seu óleo fosse extraído e comercializado, graças à instalação de uma planta de processamento sobre a plataforma - permitindo antecipar receita e financiar a produção.

PROCAP

Com lâmina de água entre 800 m e 1.000 m, não existia, no mundo inteiro, tecnologia para explorar o campo de Marlim. Nenhum país jamais fora tão fundo para produzir petróleo. Mas em 1986, a Petrobras convocou o Cenpes para dar partida ao Programa de Desenvolvimento Tecnológico de Águas Profundas – Procap, que entre outras inovações criou a técnica de perfuração de poços horizontais e o uso de cabos flexíveis para ancoragem das plataformas semi-submersíveis. O feito valeu à Petrobras, em 1992, o prêmio da “Offshore Technology Conference (OTC), o mais conceituado do setor. Novo recorde, no campo de Roncador, a 1.877m de profundidade, e o segundo OTC, em 2001. Já está em execução o Procap-3.000, para águas de 3 mil metros de profundidade.

Em marcha batida para a auto-suficiência, em dezembro de 1997 a Petrobras atingiu a marca de 1 milhão de barris/dia, o que somente 16 países tinham alcançado na época. Isso, com mais de 80% da produção nacional na Bacia de Campos, em águas profundas e ultraprofundas, em 546 poços produtores agrupados em 40 sistemas e 4.200 km de dutos fixos e móveis de abastecimento no fundo do mar. Em 2000, a empresa alcançou a marca dos 1,5 milhão de barris. Em 2003, mais descobertas reforçaram as reservas comprovadas da Petrobras em 14%: no Espírito Santo, foi encontrado óleo leve, equivalente ao árabe e, na bacia de Santos, uma grande reserva de gás. A Petrobras tem pressa: em quatro anos, mais 12 plataformas, incluindo a P-52 – que sozinha produzirá 180 mil b/d – e a P-48, entrarão em operação, acrescentando 700 mil barris diários à produção nacional. A meta era a auto-suficiência em 2006, com 2,22 milhões de barris diários, mas as últimas previsões dão conta de que já em 2005 esse feito será alcançado.

FUTURO

Agora, o futuro. A Petrobras tomou a decisão estratégica de se transformar em uma empresa de energia, para responder aos desafios colocados pelo fim à vista da era do petróleo farto. Em pauta, o gás natural, o domínio da tecnologia da célula de combustível a hidrogênio e as energias renováveis – biodiesel, eólica, solar e outras. Estendeu suas operações internacionais, da África ao Golfo do México, e particularmente na América Latina. Deu ênfase, em sua política de compras de equipamentos, barcos e plataformas, às empresas brasileiras. Energia, a nova fronteira. Com o apoio do povo brasileiro, e a competência e dedicação de seu quadro de funcionários e diretores, a Petrobras convoca: a energia é nossa.   

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