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Lula comemora a decisão do PMDB por histórica coalizão
“Esta
é uma grande notícia.
Este gesto do PMDB é
muito importante”, disse, ao saber do resultado da reunião do Conselho do
partido
O Conselho Político Nacional do PMDB aprovou por ampla maioria, em
votação por aclamação, na última quinta-feira, com apenas dois votos contra e
uma abstenção, a coalizão proposta pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Da Nigéria, onde foi participar da Cúpula África-América do Sul, o presidente
elogiou a decisão do Conselho peemedebista e os integrantes do partido. “Esta
é uma grande notícia. Este gesto do PMDB é muito importante”, afirmou.
PROGRAMA
O presidente Lula disse que
agora irá convidar o PMDB “para aprofundar a discussão programática e a
formação do conselho político”, informou o ministro da Coordenação Política do
governo, Tarso Genro, após dar a notícia da decisão do PMDB, por telefone, ao
presidente da República.
A proposta de montagem de
uma aliança estratégica do governo com o PMDB, para garantir que o país possa
superar suas dificuldades e avançar nas conquistas econômicas e sociais,
iniciadas pelo atual governo, foi apresentada pelo presidente Lula aos líderes
peemedebistas com base num programa mínimo onde a reforma política e o
crescimento econômico de, no mínimo, de 5% ao ano são tratados como prioridade
absoluta do novo governo.
O contentamento do
presidente Lula com a decisão deste órgão da direção peemedebista, que reúne
todas as correntes do partido, tem razão de ser. O PMDB unido pela coalizão é
a garantia de uma base sólida pelo desenvolvimento e pelo aprofundamento das
mudanças sociais no país. O sucesso do programa desenvolvimentista do governo
depende de uma poderosa frente, que faltou no primeiro mandato, onde o PMDB
ocupa papel de destaque por sua história de luta pela democracia e pelo avanço
social e econômico, além de ser o maior partido do país. Por tudo isso, a
coalizão com o PMDB só trará o fortalecimento de todos os partidos e segmentos
políticos que integram a base de sustentação.
Os demais pontos do programa
básico do presidente, aprovados agora pela direção do PMDB, são a reforma
tributária; a prioridade nos investimentos de infra-estrutura, educação,
saúde, ciência e tecnologia; a consolidação das políticas de transferência de
renda; fortalecimento da federação; o controle das finanças públicas
priorizando a manutenção das despesas destinadas à melhoria das condições de
vida das regiões metropolitanas e a criação de um conselho político composto
pelos partidos de coalizão para acompanhar as ações de governo.
Para o ex-governador de São
Paulo, Orestes Quércia, atual presidente do PMDB do Estado, e um dos
participantes do encontro, “a coalizão permitirá uma união que não foi
alcançada no partido em torno de uma candidatura própria à Presidência”. “Com
a coalizão, estaremos unidos, não para simplesmente aderir ao governo, mas
para participar ativamente”, afirmou Quércia. O PMDB aprovou a coalizão e
definiu também que a prioridade na disputa do legislativo será a reeleição do
senador Renan Calheiros para a presidência do Senado.
O senador José Sarney (AP)
fez um discurso contundente na reunião e disse que um governo de coalizão com
o PMDB não significa “submissão” ou “subserviência”. “Coalizão significa
governo conjunto”, frisou. “Em nenhum momento o PMDB aceitou ser caudatário de
qualquer partido”, prosseguiu. “Nós vamos ajudar. Nós temos quadros, homens
experientes, vividos, competentes”, afirmou Sarney. Ele defendeu que o partido
eleja uma nova comissão executiva “representativa dos grandes nomes do
partido, sem querer saber de que lado ele está, ou de que lado não está, mas
que represente efetivamente o partido”.
O senador Renan Calheiros
comemorou a decisão e disse que “a questão de espaço, agora, é absolutamente
secundária, porque divide. Nós temos que discutir agora os fundamentos da
coalizão”. “O espaço que tem que ser ocupado é conseqüência dessa discussão e
se nós invertermos o processo dividiremos de novo o partido”, alertou o
presidente do Senado.
O deputado federal Jader
Barbalho também comentou a decisão tomada pelo Conselho político do partido:
“não há mais dúvida: o PMDB é governo”. “Agora é ver o seu tamanho dentro do
governo”, disse. O governador Germano Rigotto (RS) defendeu aprofundamento do
conteúdo das propostas da coalizão. “Além de darmos sustentação, deve haver
uma discussão do conteúdo das propostas”, disse.
CONSELHO
O Conselho Nacional do PMDB
é composto por cerca de 60 lideranças - ex-presidente da República,
governadores, ex-presidentes da legenda, presidentes dos diretórios estaduais
e líderes e presidentes das Casas do Congresso (atuais e antigos). A única
abstenção foi do presidente do diretório do Acre, João Correia. O senador
Jarbas Vasconcelos e o presidente do partido em Pernambuco, Marcus Cunha,
foram os únicos que votaram contra. Dos 60 integrantes do Conselho, 45 estavam
presentes. Havia também alguns deputados e senadores que não integram direção
partidária. Após a decisão, Michel Temer, presidente do partido, ligou para
informar o ministro Tarso Genro.
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