Vôlei conquista Mundial com coletivismo, garra e talento
Seleção comandada por
Bernardinho chega quase à perfeição e arrasa na final do Mundial em partida
histórica
O espírito coletivo, a prática
da crítica e auto
crítica
após cada jogo, a combatividade e a disciplina do comandante Bernardinho,
aliados à técnica e ao talento dos nossos craques não deu outra e a seleção
brasileira de Vôlei chegou a uma atuação próxima da perfeição no domingo,
quando arrasou a Polônia com a vitória arrebatadora por 3 sets a 0 na final da
Copa do Mundo e levou o bicampeonato da competição.
Foi somente a segunda vitória do
Brasil por 3 sets a 0 em uma final desde que o técnico Bernardinho assumiu o
comando da Seleção, em 2001. Todavia, foi a de melhores parciais – 25/12,
25/22 e 25/17 – , assim como a mais rápida, em 1 hora e 10 minutos.
RICARDINHO
“Botamos pressão neles através
do olhar, do bloqueio, do saque. Mostramos desde o início que eles não teriam
chances de ganhar porque o troféu era nosso”, afirmou o levantador Ricardinho,
que se superou e surpreendeu a cada jogada, deixando não só o adversário, mas
todos, boquiabertos com sua técnica, liderança e entusiasmo.
A superioridade brasileira na
final foi tamanha, que o próprio técnico da Polônia, o argentino Raul Lozano,
não se conteve e rasgou-se em elogios ao time canarinho. “Foi a maior vitória
da história. Eles mostraram porque são o time mais poderoso do mundo, o melhor
de todos os tempos”, disse o argentino, ao invés de lamentar a derrota
polonesa.
De fato, desde que Bernardinho
assumiu o comando técnico, a Seleção vêm colhendo resultados nunca antes
alcançados por nenhuma outra equipe da modalidade. Em 18 campeonatos sobre seu
comando, o time nacional chegou a 17 finais, vencendo 14 delas.
GIBA E DANTE
E se não bastasse a segunda
conquista seguida da Copa do Mundo, intercalada por uma medalha de ouro nas
Olimpíadas, a seleção brasileira levou ainda os prêmios de melhor jogador da
competição e de atacante mais eficiente que ficaram, respectivamente, com Giba
e Dante.
Demonstrando a união do grupo, o
ponteiro eleito melhor jogador da Copa do Mundo tratou de dividir seu prêmio
de U$ 100 mil dólares com o resto da equipe. Após receber a placa do prêmio
disse a Ricardinho: “sem você, não teríamos conseguido nada disso. Você é o
melhor do mundo”.
Confirmando a fama de exigente e
humilde - sempre achando que é possível melhorar mais e mais- , o técnico
Bernardinho disse, ao ser questionado sobre a nota que daria ao grupo no final
do jogo: “Dar nota 10 a esse time significa que acredito na perfeição, e eu
não acredito. O time foi muito bem hoje, por isso daria nota 9,5. No entanto,
concordo que este foi o ápice do time em termos de maturidade”.
Continuando na mesma linha
Bernardinho afirmou que, embora satisfeito com o resultado, ainda ambiciona
muito mais no comando da Seleção Brasileira. “2007 será um ano cheio. Temos
muitas competições e jogar no Pan do Rio nos trará muita pressão. Por isso,
temos que continuar nesse ritmo”, disse o técnico.
THOMÁS MONTEIRO