Hugo Chávez reeleito com maior participação popular da
história
“A Venezuela está mostrando que um mundo novo onde se
respeite a soberania e prevaleça a igualdade é possivel” afirmou o presidente
“Hoje demos outra lição ao
imperialismo norteamericano. A Venezuela está mostrando que um mundo novo, em que se respeite a
soberania, a independência das nações que querem construir uma sociedade na
qual prevaleça a igualdade, é possível, é necessário. Hoje começa uma nova
época, que terá como idéia central o aprofundamento, a ampliação, a expansão
da Revolução Bolivariana”, afirmou Hugo Chávez às
milhares de pessoas reunidas diante do Palácio de Miraflores, na madrugada de
segunda-feira, comemorando a espetacular votação que o reelegeu para seu
terceiro mandato como presidente.
“Foi uma jornada memorável,
histórica, inigualável, inédita na história política destes últimos 200 anos”,
disse Hugo, de uma varanda do palácio presidencial, a uma multidão que o
aclamava sob a chuva, com aplausos e cantando o já tradicional “uh, ah, Chávez
não se vá”.
Não é para menos. Além da
esmagadora vitória por cerca de 62% dos votos válidos que derrotou a
ingerência imperialista, a pressão e as mentiras da mídia pró-americana, o
governo revolucionário comemora uma queda significativa da abstenção. O voto
não é obrigatório na Venezuela, e uma das principais manobras dos setores
anti-nacionais sempre tem sido incentivar a população a não participar dos
processos eleitorais. Um terceiro motivo para a alegria dos que comemoravam a
vitória de Hugo Chávez foi a normalidade da votação, a consciência com que a
população impediu as tentativas dos apoiadores do candidato de Washington,
Manuel Rosales, de nublar a vitória com acusações de violência ou de fraude.
«Há 8 anos ganhamos com 55%;
em 2000, com 58%; em 2004, fomos vitoriosos no referendum com 59% e hoje
rompemos o teto do 60% de votos bolivarianos. Não fazemos mais que crescer,
crescer e crescer e continuaremos crescendo», apontou o presidente. “A de hoje
foi a mais alta participação popular em toda a história política venezuelana.
A abstenção foi de 25%. Essa é mais uma acachapante derrota daqueles que
querem que os venezuelanos se abstenham de defender seus direitos, suas
riquezas, seu poder de decisão sobre qual deve ser o futuro de nosso país”,
prosseguiu.
VITÓRIA POPULAR
Desde a chamada Varanda da
Vitória Popular do Palácio presidencial, com o povo dançando e entoando
“Chávez, juntos vencemos”, o líder disse que “este domingo começa uma nova era
socialista para a nação”. E chamou “aos distintos setores do pensamento
econômico e político do país a pensar, e nos dedicar a construir a Venezuela
socialista”.
Aproximadamente às 11:30 da
noite de domingo, Rosales frente a um grupo de correligionários que o
acompanhavam declarou : «A verdade é que reconhecemos que hoje nos venceram».
Percebendo o destino inglório de continuar no golpismo, desabafou: «Eu sei
que alguns em posições mais emotivas, gostariam que eu mentisse e que tentasse
revoltar o povo que vota em nós, lhe dizendo mentiras”, e ensaiou explicar que
não daria para fazer assim porque “a diferença é muito grande”.
E não era para menos, o povo
reelegeu um governante que tirou o país do marasmo econômico e que hoje detém
os maiores índices de crescimento das Américas. O terceiro trimestre de 2006
foi mais um dos 12 períodos consecutivos de crescimento econômico a uma média
de 13,1%.
A pobreza diminui 15% desde
que ele começou a governar e o número de venezuelanos em situação de pobreza
extrema caiu em 10 pontos percentuais. O salário mínimo que em 1996 vegetava
nos míseros 36 dólares saltou para 238 dólares, um aumento de 560%.
AVANÇOS
Até mesmo a pesquisa
realizada este ano por um jornal que apóia a oposição, o El Unmiversal,
reconheceu que mais de 56% dos venezuelanos afirmam que sua situação
socioeconômica melhorou em relação ao ano anterior.
No domingo, o presidente
conversou com os jornalistas na Escola Técnica Manuel Palacio Fajardo, no
bairro 23 de Janeiro, na região oeste da cidade de Caracas, onde votou,
acompanhado por seus três filhos mais velhos (Rosa Virginia, María Gabriela e
Hugo), que chegaram junto com ele num fusca vermelho. “O nosso povo está dando
aulas de democracia. A eleição de 2006 representa a quarta oportunidade, nos
últimos 8 anos, em que se consulta o povo sobre a permanência do Presidente em
seu cargo. Quero ver alguns, que enchem a boca falando em ‘democracia’,
respeitar a vontade soberana das urnas, sem fraudes, sem mentira, como
acontece na Venezuela”, assinalou.
Um grupo de integrantes de
distintas missões de observadores internacionais que viajaram a Venezuela para
acompanhar a eleição e testemunhar a lisura do processo estava no local.
Chávez foi saudado por representantes políticos e de entidades sociais
provenientes do Brasil, Argentina, Colômbia, Paraguai, Equador, entre outros
países.
“Viva a América Latina!”,
“Viva a Pátria Grande”, “Viva a nossa independência”, “Viva a nossa união e a
nossa solidariedade”, exclamou o chefe de Estado, recebendo dos presentes um
enérgico “Viva!”.
SUSANA SANTOS