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Editorial
A manutenção de Gilberto Gil
no MinC, assim como a de Meirelles no BC, caso se confirme, representaria
um tropeço do governo Lula frente às pressões dos monopólios que maldizem
o Estado mas não abrem mão de manter sob o seu estrito controle fatias
inteiras do mesmo, no sempre renovado intuito de parasitá-lo.
Meirelles não foi presidente
do BankBoston em vão. É um representante típico dos interesses da banca
internacional, que não cessa de ampliar seu raio de ação no país.
Instalou-se no BC para garantir o perverso mecanismo, implantado por FH,
de transferência dos recursos do setor produtivo, e particularmente do
Estado, aos bancos privados, através da fixação de juros artificialmente
elevados.
Gil converteu-se de
funcionário a preposto da Warner, mais precisamente do cartel das
multinacionais do “entertainment” que tem se esmerado em impor os padrões
mediocrizantes de uma “cultura de massas” importada - valendo-se inclusive
de meios ilícitos para manter fora do circuito toda e qualquer obra
cultural nacional provida de excelência. O bloqueio à interlocução do
governo com as entidades representativas do setor e as tentativas de minar
os direitos autorais, no momento em que os monopólios se empenham numa
cruzada internacional para expropriá-los, são apenas consequência da opção
de fundo feita pelo atual ministro.
Ambos, Gil e Meirelles, cada
qual a seu modo, representam exatamente aquilo que foi rejeitado pelas
urnas, no dia 29 de outubro.
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