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Neto, da CGTB: “Centrais unem-se e reivindicam salário mínimo de R$ 420” O presidente da Central Geral dos Trabalhadores do Brasil, Antonio Neto, que vai realizar o V Congresso da CGTB nos dias 13 e 14, no Memorial da América Latina, em São Paulo, ressaltou a importância da mobilização histórica, que reuniu cerca de 20 mil lideranças sindicais e trabalhadores em Brasília, na quarta-feira Mais de 20 mil trabalhadores participaram nesta quarta-feira, em Brasília, da 3ª Marcha Nacional do Salário Mínimo, convocada de forma unitária pelas sete centrais sindicais - CUT, CGTB, Força, CGT, CAT, SDS e Nova Central. Com bandeiras, faixas e balões, trombetas e apitos, os manifestantes defenderam o aumento do mínimo para R$ 420,00 e o reajuste de 7,7% na tabela do Imposto de Renda – repondo a inflação do governo Lula. Conforme as lideranças, estes são elementos fundamentais da “maior campanha salarial do mundo” para o desenvolvimento econômico com justiça social. UNIDADE “A manifestação foi histórica, pois reuniu todas as correntes do movimento sindical, que passaram a olhar para o mesmo horizonte, demonstrando a maturidade e a grande unidade dos trabalhadores na luta pela construção de um Brasil melhor”, afirmou o presidente nacional da CGTB, Antonio Neto. É a força desta união, frisou o sindicalista, “que garantirá o atendimento das nossas reivindicações”. “O que fizemos hoje foi expor a nossa pauta, aprovada nas ruas, com o apoio de mais de 20 mil lideranças. Ao fomentar o crescimento da base salarial, estamos disputando o Orçamento da União, defendendo um modelo de desenvolvimento que priorize a produção, reduzindo os juros e o elevado superávit primário e garantindo os recursos para a infra-estrutura e às áreas sociais”, sublinhou. O presidente nacional da CUT, Artur Henrique, destacou que “mais do que valores e índices, buscamos estabelecer uma política de valorização permanente do salário mínimo, que seja assumida enquanto política de Estado, não de governo”. Artur ressaltou ainda que “ao beneficiar mais de 40 milhões de pessoas, o mínimo tem um efeito dinâmico sobre o conjunto da economia, sendo o principal instrumento de distribuição de renda”. “Com o aumento da renda temos mais consumo, o que aumenta a produção, im- pactando positivamente também na arrecadação, em mais de R$ 9,6 bilhões, desde as contribuições para a Previdência até os tributos, melhorando a economia como um todo”, enfatizou. Durante todo o percurso da marcha, do estádio Mané Garrincha até a Esplanada dos Ministérios, ao longo de duas horas, os manifestantes foram saudados pelos populares, que aplaudiam, acenavam das janelas dos prédios ou buzinavam em solidariedade. Enquanto as bandeiras das centrais sindicais e do MR8, PT e PCdoB tremulavam lado a lado, de mãos dadas, à frente da multidão, os presidentes das centrais entoavam palavras de ordem, reproduzidas em uníssono, elevando o tom em favor de mudanças na política econômica que coloquem a geração de emprego e renda como prioridade número um. Para o presidente da Nova Central Sindical dos Trabalhadores (NCST) e presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Indústria (CNTI), José Calixto Ramos, a manifestação foi “a maior demonstração de unidade da classe trabalhadora já vista no país, o que desde já aponta que o salário mínimo vai continuar aumentando”. Calixto ressaltou que o momento é de reforçar os laços de união para avançar nas conquistas: “além da questão do reajuste da tabela do Imposto de Renda, precisamos de uma política agrícola que mantenha o trabalhador na terra, a redução dos juros para que haja mais investimento e atenção especial ao trabalho infantil e escravo”. “Há muita esperança que o nosso presidente Lula dê o pontapé inicial nas negociações com as centrais, consolidando uma política de valorização permanente do salário mínimo”, acrescentou. Para o presidente da CGT, Antonio Carlos dos Reis (Salim), “a marcha foi uma maravilhosa demonstração de unidade, deixando claro aos congressistas e ao presidente da República o que queremos: um salário mínimo digno e a correção integral das perdas com a tabela do Imposto de Renda”. A amplitude e a representatividade da manifestação foram destacadas pelo presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva, como uma poderosa arma: “esta foi a maior mobilização que as centrais já fizeram pelo salário mínimo e pela correção da tabela, o que nos dá a certeza de que sairemos daqui com a vitória”. Num clima de congraçamento e muita confiança nos desdobramentos da 3ª Marcha, o ato foi encerrado em frente ao Congresso Nacional, onde os oradores destacaram a sensibilidade e o compromisso do presidente Lula com a construção de um projeto nacional de desenvolvimento que priorize o mercado interno, garantindo direitos e ampliando conquistas. Da nossa parte, sintetizou o vice-presidente da CGTB, Ubiraci Dantas de Oliveira (Bira), “vamos dar toda a sustentação necessária para que o presidente Lula possa ir mais fundo neste segundo mandato”.
LEONARDO SEVERO |