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O maior dano que o PMDB poderia cometer contra sua história e seus interesses eleitorais seria endossar a tese insistentemente repetida por seus atuais pré-candidatos de que o governo Lula e o de FH são no essencial idênticos. Não são. O devastador retrocesso imposto ao país no período FH e os avanços tímidos e insuficientes do governo Lula estão longe de ter a mesma natureza e significado. O governo FH assumiu plenamente a lógica neoliberal da submissão aos interesses dos centros imperialistas, instituindo um projeto marcado pela privatização e desnacionalização da economia, pelo desmonte do Estado, pela retração das atividades econômicas, pelo crescimento acelerado do desemprego, do arrocho salarial, da destruição da rede de proteção social, pela marcha batida rumo à Alca e pela redução do país ao triste papel de caudatário de Washington nos foros internacionais. O governo Lula rompeu com esse projeto. Não o fez de forma completa. O fato de áreas chaves como a Fazenda e o BC permanecerem submetidas às concepções e aos quadros que à exceção do ministro Palocci são todos oriundos do neoliberalismo é grave e tem se constituído numa permanente ameaça de retrocesso. No entanto, se temos ainda sido compelidos a travar o bom combate contra juros altos, superávits primários e outros mecanismos de transferência de renda do setor produtivo aos mega-especulado-res - que acarretam a inibição do desenvolvimento nacional - é preciso ter a honestidade de reconhecer que em significativos aspectos a “herança maldita” já é parte do passado: que temas como privatização da Petrobrás, Estado mínimo e Alca não têm mais ocupado o nosso precioso tempo, que a política externa independente abriu espaço para dobrar as exportações, que os programas sociais, a recuperação do emprego e do salário melhoraram a distribuição da renda. Mostrar-se indiferente a essas mudanças equivale a passar um atestado de descompromisso com os objetivos nacionais permanentes. Ignorá-las, para pegar uma carona na mídia tucana, na ilusão de que a ampla maioria da população não é capaz de perceber o impacto dessas mudanças na melhoria de suas condições de vida, é expor-se ao inevitável desastre eleitoral. O PMDB, pelo inegável peso que possui, tem todos os méritos
para aspirar a Presidência da República, mas precisa comprovar ao povo que
dispõe de uma candidatura capacitada a ir além do governo Lula, mas do governo
real e não de uma tosca caricatura que parece feita de encomenda para aliviar e
favorecer a candidatura tucana. |