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Abimaq, MP 281 vai levar dólar a R$ 1,8 em 8 semanas
“A reboque dessa decisão, virá uma queda ainda maior do valor do dólar, levando ao encerramento das atividades de muitas empresas do setor” “Os
estragos que essa medida
vai causar podem levar
mais de 10 anos para
serem sanados. Porque é muito fácil fechar uma fábrica, o difícil é colocá-la
em funcionamento e gerar empregos”, afirmou o presidente da Associação
Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), Newton de Mello,
criticando a isenção de estrangeiros ao pagamento de Imposto de Renda e da
CPMF nas operações com títulos públicos, conforme a Medida Provisória 281.
De acordo com o presidente da Abimaq, “essa excelente medida simplesmente vai
derrubar o dólar para R$ 1,8 nos próximos 60 dias”. CÂMBIO Na
avaliação do presidente da Abimaq, o Brasil continua dependente do sistema
financeiro internacional e a isenção de impostos para estrangeiros vai
provocar uma valorização ainda maior do real, devendo atingir em cheio a indústria
de máquinas, principalmente a dirigida para a agricultura. Segundo Mello,
“como hoje em dia tudo é dolarizado, o produto brasileiro, entre elas a máquina
e o equipamento, vai ficando cada vez mais caro, portanto, cada vez menos
competitivo no mercado internacional”. O
diretor de Negócios da Abimaq, José Velloso Cardoso, considera que as medidas
trarão duas conseqüências imediatas. “A primeira será que o governo deverá
abrir mão de uma arrecadação de US$ 100 milhões. A segunda, mais nefasta,
será uma tendência ainda maior de queda do valor do dólar em relação ao
real”, disse. José
Cardoso criticou duramente a condução da política monetária, bem como sua
conseqüência sobre a indústria de máquinas. “Nosso setor de bens de
capital perdeu completamente a sua competitividade, conquistada às duras penas,
com a atual política monetária. A reboque dessa decisão, virá uma queda
ainda maior do valor do dólar, levando ao encerramento das atividades de muitas
empresas do setor, que é termômetro da economia”. É
praticamente unânime, inclusive de setores do próprio governo, a avaliação
de que a isenção dos “investidores” vai trazer conseqüências graves para
o câmbio, com reflexos óbvios sobre o desempenho das exportações, que foi
quem assegurou algum crescimento da economia em 2005. Ante o simples anúncio
das medidas por parte da Fazenda, mesmo que ainda não tivessem sido
oficializadas, já vinha ocorrendo uma apreciação acelerada do real. No mesmo
dia em que a Medida Provisória 281 foi publicada, dia 16, o dólar fechou a R$
2,116, a menor cotação desde 2001. “O mercado já não trabalha com um piso,
uma cotação mínima para o dólar”, afirmou o economista Pedro Paulo da
Silveira, da Global Invest. No ano, o dólar já acumula uma desvalorização de
8,99%. A isenção
do pagamento de impostos para os especuladores estrangeiros nas operações com
os títulos públicos também é válida para os fundos de investimentos – com
papéis de dívida pública e privada -, desde que 98% do patrimônio da
carteira estejam aplicados em títulos públicos. A isenção não é válida
para títulos adquiridos nas operações compromissadas – as que têm o
comprometimento do governo de recomprar do “investidor”. Consta entre as
medidas a isenção de CPMF para venda de ações em oferta pública fora da
bolsa. Segundo
o secretário do Tesouro Nacional, Joaquim Levy, “o objetivo da desoneração
é atrair investimentos de longo prazo nos títulos do governo federal. Queremos
substituir os papéis atrelados à variação da taxa Selic e aumentar o prazo
da dívida pública. É natural que os investidores tenham um tratamento
diferenciado”. Mas para o diretor-executivo do Instituto de Estudos para o
Desenvolvimento Industrial (Iedi), Júlio Gomes de Almeida, “o incentivo para
venda de títulos com correção de longo prazo até que é louvável. Agora, não
tem lógica essa medida de isentar apenas os estrangeiros. Isso vai promover
ainda a mais a valorização do real e vai acabar incentivando que o investidor
nacional envie dinheiro para a fora, voltando sob forma de investimento
estrangeiro. Ou seja, pode haver um incentivo ao passeio do dinheiro. Enfim, foi
uma medida mal-ajambrada”. “A
isenção para estrangeiro vai manter a taxa de câmbio apreciada e isso vai
trazer conseqüências graves para a exportação de produtos manufaturados”,
frisou o professor da UFRJ, João Sicsú. DILMA Pelos cálculos
de Levy, o montante atual de investimentos estrangeiros em títulos públicos
totaliza US$ 5 bilhões, um pouco mais de R$ 10,5 bilhões, o que representa
apenas 1% do total da dívida mobiliária federal, próxima a R$ 1 trilhão. Com
a isenção haveria uma renúncia fiscal de cerca de R$ 210 milhões, que seriam
“compensados” com uma hipotética redução de juros, ou seja, na vã
esperança de contar com a boa vontade dos especuladores para reduzir seus
ganhos astronômicos. E como já lembrou a ministra Dilma em outra ocasião,
citando o genial Garrincha, nada foi “combinado com os russos”, inclusive os
incrustados no Banco Central, responsáveis
pelos juros siderais, que, entre outras coisas, remuneram os papéis dos
“investidores estrangeiros”. VALDO
ALBUQUERQUE |