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80 prefeitos de Pernambuco se reúnem em apoio à Transposição

Em apoio às obras de transposição do Velho Chico, mais de 80 prefeitos se reuniram em Pernambuco pedindo agilidade da Justiça para julgar as liminares que estão paralisando as obras. “Dizem que estou com pressa. Pressa? Num governo de quatro anos, passei três debatendo. Agora é hora de fazer. Vai entrar mais um ciclo de secas”, disse Ciro Gomes

Na última segunda-feira o ministro da Integração Nacional, Ciro Gomes, esteve no município de Salgueiro, sertão de pernambucano, a 513 quilômetros de Recife, em reunião com os prefeitos da Associação Municipalista de Pernambuco (Amupe) para receber o apoio na defesa da integração da bacia do rio São Francisco às bacias hidrográficas do Nordeste Setentrional.

Na reunião, mais de 80 prefeitos, secretários municipais, vereadores, além de autoridades do Departamento Nacional de Obras contra as Secas (Dnocs) e do governo de Pernambuco, manifestaram o apoio ao projeto de Integração e defenderam a urgência no início da execução das obras.

De acordo com a Associação de Prefeitos, entre as ações do movimento de apoio à Integração constará um pedido ao ministro Sepúlveda Pertence, do Superior Tribunal de Justiça, para que julgue com urgência a ação da Advocacia Geral da União (AGU) contra uma liminar que impede o início das obras. A liminar foi concedida pela Justiça Federal na Bahia e impede o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) de emitir a Licença de Instalação para o Projeto São Francisco. Caso o STF decida cassar a liminar, as obras do empreendimento poderão ser iniciadas.

O Projeto de Integração da Bacia do São Francisco com as do Nordeste Setentrional prevê a captação de 26 metros cúbicos por segundo de água do São Francisco, ou seja, apenas 1,4% do que o rio joga no mar. A água abastecerá as bacias dos Rios Jaguaribe, no Ceará; Apodi, no Rio Grande do Norte; Piranhas-Açu, na Paraíba e no Rio Grande do Norte; Paraíba, na Paraíba; Moxotó e Brígida, em Pernambuco e servirá para o abastecimento humano e animal.

A obra, orçada em R$ 4,5 bilhões, garantirá o abastecimento de água para 12 milhões de pessoas em pequenas, médias e grandes cidades do semi-árido setentrional brasileiro, englobando quatro Estados: Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará.

“A água vai possibilitar, além da regularização do abastecimento humano e animal em centenas de comunidades de baixa renda, a agricultura irrigada e a pecuária, trazendo perspectivas de dias melhores para milhares de famílias sertanejas”, afirmou o presidente da Amupe, Josuel Vicente Lins.

Em entrevista ao Jornal do Brasil, o ministro Ciro Gomes defendeu o projeto argumentando que “qualquer brasileiro que não tenha posto uma pedra no lugar do coração verá que é óbvio que falta água no Nordeste”, mas, apesar de o governo federal ter investido em diversas outras fontes de água, como o armazenamento há uma grande contradição: “De onde vem a água? E se não chover?”. “A seca é cíclica, não conhecemos sua regularidade, mas é certo que ela vem”, afirmou.

Essa é a grande importância do Projeto de Integração do São Francisco. “As duas pontas dos eixos (do canal de integração) são justamente Fortaleza e Campina Grande, beneficiando tudo o mais que estiver no miolo entre as duas cidades. Diz a ONU que o mínimo de água disponível por habitante deve ser 1.500 metros cúbicos por ano. Abaixo disso a vida passa a ser crescentemente insustentável. No Nordeste Setentrional a disponibilidade média é 450 metros cúbicos ao ano por habitante: menos de um terço”.

E pior, “a distribuição de água não é a mesma para todas as regiões. O Nordeste tem 45 milhões de habitantes e detém 3% da água potável do país. Setenta por cento dessa água se concentra na Bacia do São Francisco e 20% na região do Parnaíba, que separa o Piauí do Maranhão. Existe um miolo imenso com nenhum rio caudal perene. No agreste de Pernambuco a disponibilidade atual é de menos de 350 metros cúbicos por habitante ao ano”.

Com a urgência, liminares que impedem o andamento do projeto são uma aberração. Segundo o ministro, “a bateria de liminares judiciais, (são) tão sem pé nem cabeça que das 19 impetradas 18 foram revogadas”. Apenas “uma está sendo ajuizada no STF”. E é essa que está impedindo o início das obras. “Dizem que estou com pressa. Pressa? Num governo de quatro anos, passei três debatendo. Agora é hora de fazer. Vai entrar mais um ciclo de secas”, advertiu Ciro.

MARIANA MOURA    

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