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Kofi
Annan e União Européia
O secretário-geral
da ONU Kofi Annan, a Comissão de Direitos Humanos da ONU e o Parlamento Europeu
pediram o fechamento imediato do campo de concentração dos EUA em Guantánamo,
mas a Casa Branca já anunciou que não abre mão da sua “base”, isto é, da
tortura e da violação das leis internacionais. O fechamento de Guantánamo
também foi exigido pelo bispo Desmond Tutu, reconhecido líder da luta contra o
apartheid na África do Sul. O campo de Guantánamo deve ser fechado “o mais rápido
possível”, reiterou Annan. Extenso
relatório da Comissão de Direitos Humanos da ONU, que englobou os trabalhos de
cinco comissários, indo da acusação de tortura à de violação do direito a
uma religião, baseado nos relatos de ex-prisioneiros de Guantánamo e seus
advogados, caracterizou a violação cometida pelo governo dos EUA e exigiu que
os mais de 500 presos sejam ou submetidos a alguma acusação e julgados, por um
tribunal legítimo, ou imediatamente libertados. Os representantes da ONU
chegaram a tentar ir a Guantánamo ouvir os presos, mas foram impedidos por
Bush, que só permitia entrevistas na presença de um militar ianque, isto é,
do próprio torturador. Dos mais
de 500 prisioneiros – que foram na verdade sequestrados por bandos armados
enviados por Bush – depois de quatro anos apenas dez foram formalmente
acusados de alguma coisa. Para fugir da Convenção de Guerra de Genebra e
torturar à vontade, Bush desconheceu a condição de prisioneiros de guerra aos
capturados nos países que invadiu, e inventou uma inexistente condição, na
lei internacional, de “inimigos combatentes”. Fabricou tribunais militares
onde os seqüestrados não tinham qualquer direito e não era preciso provar
nada, bastava o “juiz” querer. O campo de concentração foi estabelecido na
base mantida ilegalmente pelos EUA em Cuba para dar pretexto a que nem sequer a
lei dos EUA, ou seus tribunais, se aplicariam no caso. Em suma um território
sem lei, sob a CIA e o Pentágono. O documento detalha extensamente as violações
do governo Bush quanto à tortura, elevada a política oficial de Estado, e o
desrespeito aos mínimos direitos dos prisioneiros, inclusive o de ser acusado e
julgado. A “MÃE”
DE ABU GRAIB
Como se
sabe, Guantánamo é a “mãe” de Abu Graib, o tenebroso local onde as
“novas técnicas de interrogatório” da CIA e do Pentágono foram testadas e
depois levadas ao Iraque. Os presos eram mantidos indefinidamente em jaulas,
submetidos a tortura, ameaçados com cachorros, barbeados à força e impedidos
de ler o Alcorão, para humilha-los e quebrar sua moral, submetidos a
constrangimentos sexuais, espancados, drogados, submetidos a desorientação
sensorial, temperaturas extremas, privação de sono, choque elétrico (que eles
escondem piamente) e outros inomináveis crimes. Tal tratamento desumano levou
muitos presos a tentarem o suicídio. Como afirmou o bispo Tutu, “isso é uma
desgraça, não há como achar palavras fortes o bastante para condenar o que os
EUA e a Inglaterra cometeram”. Até a alta comissária da ONU para os Direitos
Humanos, Louise Arbour, muito chegada a Blair e Bush, disse que apesar de não
endossar todas as recomendações feitas pelo relatório não via outra
alternativa a não ser “fechar o campo”. O relatório termina exigindo que a
ONU tenha livre e irrestrito acesso ao campo de concentração, incluindo
entrevistas privadas com os presos. |