1 2 3 4 5 6 7 8|Índice| Biblioteca|Assinatura|Expediente|Cartas|Não tropece na Língua
Envie sua carta: horadopovo@horadopovo.com.br | hp@webcable.com.br


General Luiz Edmundo Carvalho, comandante Militar do Sudeste:  

‘Não é privilégio das FFAA dissuadir ameaças aos interesses nacionais’

Segundo o general, “uma forte expressão política, uma forte expressão científico-tecnológica, uma forte expressão econômica, uma forte expressão psico-social servem para a dissuasão de ameaças”

A Amazônia é a prioridade número um do Exército Brasileiro, porque nós percebemos já algum tempo a cobiça estrangeira. Mesmo que ela não se materialize através de Estados, mas se materialize através de organizações não-governamentais, isso requer uma preocupação e um cuidado grande da Nação, principalmente das Forças Armadas”, afirmou o comandante Militar do Sudeste, general de Exército Luiz Edmundo Maia de Carvalho, na palestra “A Missão Constitucional do Exército”, realizada no Memorial da América Latina, em dezembro passado.

O general Carvalho destacou a presença nacional constante do Exército desde tempos mais remotos, tendo atualmente constituído sete comandos de área: Amazônia, Oeste, Sul, Sudeste, Leste, Planalto e Nordeste, com destaque para o Comando Militar da Amazônia (CMA), com onze generais na região. “Nós concebemos a prioridade um à região amazônica e começamos a deslocar forças para aquela área que era bastante desguarnecida”, disse. 

COMPROMISSO 

Em sua exposição o comandante do Sudeste frisou que as Forças Armadas pensam o Brasil com a sociedade a brasileira: “Nós somos parte da sociedade brasileira e temos compromisso com ela, com o Estado brasileiro. Afinal de contas, nós somos o braço armado do Estado brasileiro”.

“A mais importante das nossas missões”, sublinhou o general Carvalho, “a fim de assegurar a defesa da Pátria, é a de contribuir para a dissuasão das ameaças aos interesses nacionais. Por que contribuir? Não é apenas um privilégio das Forças Armadas a dissuasão de ameaças aos interesses nacionais. Todas as expressões do Poder estão envolvidas nesta dissuasão. Uma forte expressão política, uma forte expressão científico-tecnológica, uma forte expressão econômica, uma forte expressão psico-social servem para a dissuasão de ameaças aos interesses nacionais. Isso é extremamente importante porque nós desejamos evitar o conflito, nós não queremos a guerra, nós sabemos que a guerra é cruel, que afeta toda a população, todo o País, toda a infra-estrutura”.

Por isso, prosseguiu, “nós queremos a dissuasão das ameaças aos interesses nacionais. Queremos que haja o entendimento, mas é importante que as Forças Armadas sejam fortes, que disponham dos equipamentos necessários para prosseguir na dissuasão”. Uma das partes da dissuasão militar é a articulação nas diversas áreas estratégicas nacionais: a Amazônia, Centro-Oeste, bacia do Prata, núcleo central e o Nordeste brasileiro.

“A nossa preparação é constante, mesmo com as diversas missões que nós recebemos, nós não podemos nos afastar do preparo para a guerra. Quando falha a dissuasão nós temos que realizar a campanha militar terrestre derrotar o inimigo e garantir a soberania e a integridade do território nacional. Falhou a dissuasão nós vamos para a guerra. Essa é outra missão tão importante quanto a primeira, a dissuasão, e está em condições de cumpri-la se necessário for”, ressaltou o general Carvalho, lembrando que dissuasão falhou em 1864 “quando o ditador paraguaio Solano López invadiu o Brasil, o Mato Grosso, aprisionou um pouco antes o navio Marquês de Olinda, e o Império brasileiro declarou guerra ao Paraguai”, que só terminou em 1870. O comandante disse que o Brasil ficou “até 1944 sem outro conflito externo e encontramos a Segunda Guerra Mundial, quando repelindo a agressão nazi-fascista principalmente aos navios mercantes brasileiros, declaramos guerra ao Eixo e fomos para o teatro de operações da Itália e lá os nossos bravos pracinhas se cobriram de glórias. Em 2005 nós comemoramos os 60 anos do regresso dos pracinhas vitoriosos nos campos de batalha da Itália”.

Além de sua missão constitucional de defesa da soberania nacional e integridade territorial, o Exército Brasileiro tem apoiado decisivamente em ações e projetos que visam o desenvolvimento nacional. Um dos mais importantes é o Programa Calha Norte - ocupação das fronteiras, preservação da soberania e apoio à infra-estrutura - que engloba 25% do território nacional. “É interessante que os nossos pelotões ao longo da fronteira na Amazônia possuem instalações que nós chamamos de pavilhão de terceiros, que estão à disposição de órgãos federais como Ibama, Polícia Federal, porque eles precisam se fazer presentes em cada um desses pelotões. Tem muitos lugares que só se chega de embarcação ou avião. Em cada pelotão nós temos médico, dentista e farmacêutico, e os nossos hospitais como o de São Gabriel da Cachoeira e de Tabatinga, atendem principalmente a população civil”, sublinhou. 

INTEGRAÇÃO 

Os Pelotões de Fronteiras dão apoio à saúde da população, à restauração de estradas, obras em aeroportos, na construção de 650 quilômetros de gasoduto no Amazonas, açudes, apoio ao Programa “Luz para Todos” em comunidades indígenas, distribuição de águas no nordeste à população assolada pela seca, entre outras atividades.

Para o Exército Brasileiro, “Princípios e valores” são fundamentais. “As Forças Armadas e suas instituições permanentes são baseadas na disciplina e na hierarquia. Valores éticos e morais são indispensáveis para aqueles que detêm o monopólio da força. Portanto, nós fazemos questão que sempre esses valores éticos e morais estejam no mais elevado nível”. Práticas e atributos na área afetiva são indispensáveis para o militar, os quais o general Carvalho destaca: “disciplina, responsabilidade, dedicação, espírito de corpo, desprendimento, decisão, coragem, lealdade, lealdade para cima, entre seus companheiros, para com seus subordinados, coragem. O Exército existe pela possibilidade da existência da guerra. Então o militar tem que ser corajoso, tem que ter capacidade de enfrentar o inimigo atirando em cima dele, tem que ser desprendido, afinal de contas é sua vida que está em risco”.

VALDO ALBUQUERQUE   

Voltar

Paginas: 1 2  3  4  5  6  7  8