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César Maluco, o ‘matador’

ARIOVALDO IZAC*  

Em 1972, o atacante César Maluco, do Palmeiras, ofendeu moralmente o árbitro Renato de Oliveira Braga e foi suspenso do futebol pelo período de nove meses. Pois é, mandar juiz ou bandeirinha para “ponta da praia” naquela época era arrependimento certo, dife-rentemente da atualidade quando o “juizão” faz de conta que não é com ele, quando a boleirada fala gatos e lagartos.

 O carioca César Augusto da Silva Lemos faz parte de uma família de três boleiros e, por coincidência, todos centro-avantes. O irmão mais velho da boleirada, José Carlos da Silva Lemos, ficou mais conhecido na bola pelas cambalhotas após cada gol do que pelo futebol que apresen-tava. Caio Cambalhota não prosperou no Flamengo e rodou por vários clubes brasileiros e do exterior, um deles o Amora, de Portugal. Ano passado, Caio foi lembra-do em seção sobre memória do futebol no site português “Cromo dos Cromos”.

Naquele país, Caio atraves-sou um dos melhores perío-dos no futebol. 

O caçula dos Lemos, Luís Alberto da Silva Lemos, o Luisinho, de estatura media-na, foi um goleador por voca-ção. Quando se despediu do futebol, em dezembro de 1993, constava em seu currículo centenas de gols, a maioria marcados no período que defendeu o América do Rio, na década de 70. Luizinho também jogou no Flamengo, Palmeiras, Americano (RJ), Leon do México, Alnakra e Al Saad do Qatar, e no Las Palmas da Espanha.

 No adeus à bola, ele fez questão de mostrar gratidão ao América, ao indicá-lo para jogo festivo contra um com-binado integrado por seus amigos, que foi “surrado” em campo: 11 a 5.

 Quanto a César, iniciou a carreira no Flamengo, mas ganhou notoriedade no futebol a partir de 1966, quando foi defender o Palmeiras, clube que se desligou só em 1974, com histórico de segundo maior artilheiro: 190 gols em 324 jogos. Naquele mesmo ano integrou a relação de jogadores brasileiros na Copa do Mundo da Alemanha.

 O sexagenário César foi o típico centroavante trom-bador, porém veloz e oportu-nista. Sabia repartir as jogadas com zagueiros e tinha frieza para enfrentar goleiros. Também era bom no jogo aéreo e provava que, com essas virtudes, não era preciso ser craque para vestir a camisa nove.

 O atacante admitia que era brigão e, como conse-qüência, foi apelidado de César Maluco. Foi assim no Palmeiras e continuou nas passagens por Corinthians, Santos, Botafogo (SP), Fluminense de Feira de Santa (BA), Rio Negro (AM), Universidade Católica do Chile, Salonico da Grécia e Fluminense (RJ). A rigor, só percebeu os malefícios do apelido quando tentou ingressar na carreira de treinador. Nas equipes inferiores do Palmeiras, sem problema.

Quando foi dirigir profis-sionais em clubes do interior de Minas, Bahia, Goiás e do Distrito Federal constatou que a fama de maluco foi prejudicial.

Em 1988, incentivado pelo deputado estadual Afanasio Jazadji, disputou uma cadeira da Câmara de Verea-dores de São Paulo e não se elegeu. Nem por isso esmoreceu e quatro anos depois repetiu a experiê-ncia, amargando nova derrota. Aí, desistiu de ingressar na vida pública e se manteve ligado ao futebol como olheiro ou comanda-ndo garotos em escolinhas, até que surgiu a oportu-nidade de trabalhar como revendedor de veículos.    

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