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Serra quer entregar hospitais e cemitérios para setor privado administrar com dinheiro público

O prefeito de São Paulo, José Serra (PSDB), enviou à Câmara um projeto de lei que prevê a terceirização de serviços públicos essenciais à população. A proposta, prevista no Projeto de Lei 318/2005, se aprovada, transferirá a administração da saúde e de outros serviços essenciais ao setor privado, que será mantido com o dinheiro público. Pelo projeto, instituições privadas poderão, entre outras aberrações, contratar funcionários sem concurso público, bem como efetuar compras e usar bens municipais sem licitação. Tudo, é claro, com dinheiro público.

No projeto de Serra, a entidade particular credenciada será chamada de Organização Social (OS) e poderá administrar a verba e as ações de áreas como educação, saúde, cultura, meio ambiente e ciência, o que na prática significa a privatização de creches, centros desportivos, estádios  como o Pacaembú, ambulatórios, hospitais, unidades básicas de saúde e até dos cemitérios da capital paulista. As chamadas Organizações Sociais foram regulamentadas, não por acaso, em 1998 por Fernando Henrique Cardoso.

O projeto já provocou um verdadeiro levante. Além dos vereadores, entidades populares e sindicatos ligados à administração pública entraram com uma ação no Ministério Público Estadual onde denunciam que Serra abre precedente para o fechamento de hospitais públicos e para a elitização do atendimento, já que a iniciativa privada só se interessa pela prestação de serviços em áreas extremamente lucrativas. Na ação, as entidades ressaltam que, acima de tudo, a gestão privada é inconstitucional, pois é contrária aos artigos 196 e 198 da Constituição que assegura que a Saúde é direito de todos e dever do Estado.

“O projeto é inconstitucional se a iniciativa privada exercer atividades essenciais do serviço público”, afirma o professor de direito trabalhista da Faculdade de Direito da USP, Antônio Rodrigues de Freitas. Técnicos também alertam para a total falta de controle na aplicação dos recursos, que seriam repassados do SUS para as mãos de organizações privadas, que definiriam sua aplicação sem qualquer controle do Estado e da população.

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