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No tribunal-farsa ianque até as testemunhas de acusação se posicionaram contra a promotoria

“Esse ambiente, permanentemente carregado de informações distorcidas sobre Cuba, traumatiza o pensamento das pessoas que moram lá. A mídia e sua campanha de caráter permanente vão martelando a consciência das pessoas, até se tornar impossível encontrar um júri que não seja totalmente parcial para julgar qualquer coisa que tenha a ver com Cuba.

Nessas condições foi realizado o julgamento contra os cinco cubanos e eles foram condenados, sem provas, a penas tão incríveis como, por exemplo, ser condenado duas vezes: prisão perpétua e 17 anos.

Uma parte das testemunhas apresentadas pelos procuradores dos EUA se posicionaram contra a acusação; testemunhas que acabaram atuando quase como testemunhas da defesa. Generais da reserva da Agência Central de Inteligência (CIA), das Forças Armadas dos EUA do Comando Sul, falaram que os cubanos não tinham obtido, nunca, nenhuma informação sensível do governo dos EUA, porque seu objetivo não era buscar informação do governo dos EUA. Era informação dos grupos terroristas. Portanto, eles não se encaixam dentro do conceito de espiões, que são as pessoas que de maneira ilegal buscam informações secretas de algum Estado para usá-las contra esse Estado.

Foram enviados a prisões de segurança máxima, separados, enfiados em celas de castigo, chamadas buracos, lugar onde não tem nem condições de se mexer, não tem luz, não tem nada, como se fossem animais. Até que a pressão internacional conseguiu tirá-los dessa situação.

Os advogados de defesa apresentaram uma demanda ante a Corte do 11º Circuito de Atlanta, que designou três juizes, e depois de 8 meses de estudo do caso, chegaram à conclusão de que a sentença do julgamento realizado em Miami violou todos os preceitos legais da Constituição e da própria ordem judicial dos EUA. Portanto, o julgamento se declarava nulo e as condenações sem valor.

ilegalidade  

A partir dessa sentença do Tribunal de Atlanta, que é a instância superior ao de Miami, que foi unânime, o governo norte-americano tinha a obrigação de deixar em liberdade os cinco cubanos. Os advogados dos cinco estão reivindicando que se realize um novo julgamento dentro do Estado da Flórida, mas não em Miami, porque lá não há condições. É praticamente irrebatível uma decisão unânime dessa natureza. A jurisprudência norte-americana diz que é praticamente impossível ir contra ela.

Restavam à administração norte-americana dois caminhos, ou mudavam a sede, aceitavam fazer um novo julgamento, em que mudariam as condições, com mais possibilidades de imparcialidade, ou o que fizeram, que foi esperar mais de um mês para apelar ao próprio Tribunal de Atlanta para que os 14 juizes que formam o pleno revisassem a decisão. Isso quase não têm precedentes dentro da jurisprudência americana. O que podem conseguir é manter ainda mais tempo presos aos cubanos, que deveriam sair livres. Enquanto se faz um novo julgamento seguramente não poderiam sair do território dos EUA, mas estariam livres. Desrespeitando a sua própria legislação, mantiveram eles presos, em cárceres de segurança máxima, nas mesmas condições sub-humanas. Um deles há 7 anos que não vê a sua esposa impedida de entrar porque, segundo eles, “ameaça a segurança nacional”. Outro não consegue se encontrar com a sua filha que tinha meses de idade quando foi preso nos EUA. Essa tortura adicional não se aplica nem aos criminosos mais ferozes presos nos cárceres de alta segurança dos Estados Unidos.

É que esses moços se recusam a aceitar que estavam cometendo algum crime, se recusam a trair os seus princípios, a entregar sua dignidade.

Não se trata de julga-los. Trata-se de julgar Cuba, o sistema revolucionário que existe em nosso país, isso é que o governo dos EUA pretende.”    

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