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Cartas

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Bate-boca cultural

Gostaria de dar minha parcela de contribuição na animada polêmica que esta semana  envolveu figuras ímpares do meio cultural, como Ferreira Gullar, Caetano Veloso, Gilberto Gil e seu porta-voz, Sérgio Sá Leitão. Do meu ponto de vista, só um homem merece respeito e consideração entre todos os envolvidos naquele bate-boca rabugento e inútil. E, pelo fato de, infelizmente, ele não estar entre nós para se defender, me julgo no direito de fazê-lo, pois para falar de Stálin seria preciso que aqueles senhores tivessem um conceito um pouco mais elaborado sobre valores como justiça, caráter e respeito ao povo e à Pátria. Coisas que, pelo nível do debate, desconhecem.

Paulo M. Santana - São Paulo (SP)

Leitão com espírito de porco

Quando não há mais argumento para espinafrar ou defender o governo, o raciocínio de chutadores de cachorro atropelado é simples: abusa-se da desfaçatez acusando o oponente de stalinista. No caso envolvendo Gil, Ferreira Gullar e Caetano, uns pelos outros, todos se merecem. São homens de muitas, muitas e complicadas idéias. E tantas idéias têm, e tão mirabolantes são, que acompanhei com fervor os debates. Lembrei até de uma disputa que era comum na escola primária: a cor do cavalo de Napoleão. Estando ou não o Minc centralizado, fiquei mais preocupado em saber quem é este fantástico Leitão que fala em nome do Ministério da Cultura. Este sim é um mistério transcedental: um leitão falante, como aquele bolado por Monteiro Lobato. Uma reedição do Marques de Rabicó, que ocupando cargo público e recebendo dos impostos que também pago, deveria poupar a história de leviandades e os cachorros que, mesmo atropelados, ainda podem morder ou oferecer companhia e fiel proteção para que ele continue no emprego. A experiência socialista soviética não terá sido o melhor da história humana ainda, mas seguramente ajudou a preparar o caminho para o tal futuro que sempre esperamos. Apenas um leitão, cujo espírito de porco abusa do pleonasmo, atira na direção errada, tornando-se eficiente cabo eleitoral para aqueles que atacam o governo.

Djalma Batigalhia - Ribeirão Preto (SP)

Interesses nacionais

Como leitor, radialista e militante do movimento pela redemocratização da comunicação, antes de mais nada desejo parabenizar o HP pela altivez, independência e compromisso com a verdade. Se os demais veículos de comunicação do país atuassem com esse nível de comprometimento com os interesses nacionais, certamente há mais tempo o nosso país já teria atingido o patamar de justiça social que almejamos para o nosso povo. Continuem firme nessa direção. Mais uma vez parabéns. Aproveito para saber se é possível publicar no HP a carta aberta, que segue anexa, encaminhada ao presidente da República em 20 último passado?

Carlos Rabelo - Salvador (BA)

Nota da Redação: Agradecemos por suas palavras, Carlos, que nos estimulam a continuar na batalha. Quanto à carta ao presidente Lula, pedimos a sua compreensão, pois iremos publicá-la em trechos, em função do texto ser bastante extenso. Um abraço e fique à vontade para nos escrever mais vezes.

Meias verdades

Após passados seis meses de instalação das CPIs, o que se viu foi um verdadeiro festival de hipocrisia, cinismo, oportunismo, histeria, irresponsabilidade, falta de seriedade, de vergonha e de respeito. Pessoas desequilibradas, estranbelhadas, despreparadas para exercer cargos tão importantes, algumas que participaram de governos anteriores e foram incapazes de resolver os problemas do Brasil - que só ajudaram a agravá-los -, agora querem pousar de mocinhos inocentes, se comportando de forma ridícula, como se o Congresso Nacional fosse o quintal de suas casas, centros de fofocas ou casa de fuxico, transformando CPIs em lavanderia pública. Além disso, há alguns setores da imprensa sem nenhum compromisso com a verdade e muito menos com o país. Criaram uma imprensa meia-boca para falar meias-verdades, uma indústria de notícias desencontradas, destorcidas, não-confirmadas, colocando a população em dúvida, prejudicando o país.

José Simão Silva - São Paulo (SP)

Exame na USP

Sou diretor do Centro Acadêmico da Escola de Educação Física e Esporte da USP e gostaria que publicassem uma nota de repúdio contra o exame médico e as provas de habilidades específicas da Fuvest para os cursos de educação física e esporte, já que entendemos que esses exames têm um caráter altamente discriminatório por impedirem totalmente a entrada de portadores de deficiência nos cursos citados. A Escola de Educação Física da USP é reconhecida pela sua estrutura para atender a deficientes, tendo, inclusive, cursos de natação para portadores de deficiência física, mas eles ainda são proibidos de entrar em cursos superiores por um exame atrasado, preconceituoso e ilegal.

Ricardo Costa - São Paulo (SP)

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