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Lula no encontro com o presidente da Argentina, Néstor Kirchner:

“Juntos podemos levar adiante a integração sul-americana”

No encontro, os dois presidentes discutiram aprofundar laços em diversas áreas, como ciência e tecnologia, coordenação de políticas industriais, intercâmbio militar, saúde e esportes

Nossa união potencializa ações entre países irmãos. Separados, o que podemos fazer é relativamente pouco. Juntos podemos levar adiante o sonho de uma integração sul-americana e latino-americana, baseada na paz, na justiça social e na democracia”, afirmou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, após reunir-se com o presidente da Argentina, Néstor Kirchner, no último dia 18.

Lula disse que foram estreitados laços para acelerar colaboração estratégica “em temas como ciência e tecnologia, coordenação de políticas industriais, trabalho, saúde, intercâmbio militar, cultura, esporte, comunidades fronteiriças e migrantes”.

“Discutimos proposta de constituir consórcios em setores de ponta, por exemplo o de construção naval, onde os sócios do Mercosul possam juntar forças e complementaridades. Queremos que essa integração produtiva ocorra igualmente na indústria bélica, aeronáutica e no domínio espacial”, frisou o presidente Lula.

O presidente argentino disse que Lula é um presidente “generoso” e que isso deve ser motivo de orgulho para os brasileiros. Kirchner destacou ainda que Lula tem uma “atitude de solidariedade permanente”, procurando ajudar a Argentina nos momentos mais difíceis. 

“Nossa relação bilateral é a pedra de toque para o fortalecimento do Mercosul e a consolidação da Comunidade Sul-Americana de Nações. Temos consciência de nossas responsabilidades na integração regional. Queremos que nossos parceiros do bloco estejam ativamente engajados nesses projetos”, ressaltou o presidente brasileiro.

“Esses avanços não seriam possíveis sem uma parceria econômica cada vez mais sólida”, reiterou Lula, uma vez que “em 2005, o comércio bilateral [Brasil e Argentina] já ultrapassou os 16 bilhões de dólares, um recorde histórico. É um comércio de qualidade dos dois lados, com forte presença de produtos manufaturados, contribuindo para a industrialização de nossas economias”.

Atualmente, o Brasil é o principal comprador de manufaturados argentinos, num valor aproximado de 5 bilhões de dólares, enquanto que a venda de produtos brasileiros para o país vizinho se concentram em bens intermediários e de capital, “fundamentais para sustentar o forte crescimento argentino”.

Lula reafirmou a Kirchner “a disposição brasileira de colaborar na identificação de medidas que ajudem a acelerar a reindustrialização já em curso na Argentina. Estamos abertos a propostas para aperfeiçoar os acordos setoriais que temos em áreas prioritárias, como a automobilística”.

“O Brasil tornou-se o quarto maior investidor na Argentina e seu primeiro parceiro comercial. A Petrobrás está investindo na Argentina. A integração da infra-estrutura é essencial ao nosso progresso. Reiterei ao presidente Kirchner a decisão brasileira de disponibilizar recursos do BNDES e do Proex para o financiamento de exportações de bens e serviços para obras que formam a espinha dorsal de nossa integração. A construção do gasoduto Uruguaiana-Porto Alegre, cujos detalhes estamos discutindo, ajudará a viabilizar o anel energético continental que decidimos construir durante a Cúpula da Comunidade Sul-Americana de Nações, em maio de 2005”, disse Lula.

Prestando “uma homenagem especial”, Lula enfatizou que sob a direção do presidente Kirchner “a Argentina deixou para trás anos de ceticismo e submissão para encontrar definitivamente seu destino. Seu governo superou a mais grave crise econômica da história argentina, recuperando o nível de renda e de empregos. Reestruturou uma dívida externa asfixiante e quitou as obrigações financeiras do país, restaurando a presença da Argentina em seu tradicional lugar de destaque na comunidade internacional. Mais do que isso, devolveu o orgulho e a esperança a uma nação rica em história e potencialidades”.

No dia 19, o presidente Lula se reuniu com Kirchner e o presidente venezuelano, Hugo Chávez, cujo tema principal foi a construção de gasoduto que irá unir o continente de Norte a Sul. Com cerca de 8 mil quilômetros, o gasoduto será construido pelos três países, com investimentos que poderão chegar a 20 bilhões de dólares.

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