1 2 3 4 5 6 7 8|Índice| Biblioteca|Assinatura|Expediente|Cartas|Não tropece na Língua
Envie sua carta: horadopovo@horadopovo.com.br | hp@webcable.com.br


Governo descarta adoção do padrão ianque de TV digital

Em reunião realizada no Palácio do Planalto terça-feira passada, o governo brasileiro descartou a adoção do padrão norte-americano (ATSC) de TV digital a ser implantada no País. A decisão foi tomada com base em estudos do Centro de Pesquisa e Desenvolvimento de Telecomunicações (CPqD), que foi quem fez a integração dos trabalhos dos 22 consórcios que desenvolveram o Sistema Brasileiro de TV Digital (SBTVD).

Participaram da reunião ministros, entre eles Dilma Rousseff, Casa Civil; Hélio Costa, das Comunicações e Sérgio Resende, da Ciência e Tecnologia; Luiz Dulci, secretário-geral da Presidência e os representantes do CPqD Hélio Graciosa, presidente, e Ricardo Benetton, coordenador do projeto do SBTVD.

O ATSC já tinha sido reprovado em testes de campo e laboratório realizados em 1998 pela Abert, SET e Universidade Mackenzie. Direcionado principalmente para TV por assinatura, O ATSC não permite a “mobilidade de recepção de sinais”, além de falta de interatividade e portabilidade, critérios considerados essenciais para a escolha do sistema - pelo presidente Lula - entre o SBTVD, DVB (europeu) e ISDB (japonês), que será apresentado em 10 de fevereiro.

“O SBTVD a gente já fez. O que foi desenvolvido em middleware é o mais avançado de todos os sistemas”, afirmou ao HP o professor Guido Lemos, da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), coordenador do Consórcio FlexTV.

Guido Lemos disse o SBTVD “tem o foco na população de baixa renda, que é a marca do sistema brasileiro. É interatividade avançada, uma espécie de computador barato para a população de baixa renda”.

Com o middleware, conhecido como plataforma de interatividade, desenvolvido pelo FlexTV se pode ver a simulação de um estádio de futebol, em que o telespectador tem a opção de escolher o ângulo da câmara, o som da torcida e até conversar com um torcedor virtual em outra idade ou mesmo outro país. Isso será possível através de um microfone instalado no terminal de acesso (set top box).

Segundo o professor da UFPB, o pesquisador brasileiro “sabe como fazer, domina a tecnologia, que está hoje nos institutos de tecnologia e universidades. Enfim, pesquisadores que trabalharam no projeto financiado pelo governo, que está pagando o custo de engenharia. Considerando que essa engenharia será transferida para a indústria e vai virar produto, teremos que pensar em uma política industrial para avaliar o custo do repasse, que pode ser X, Y ou Z, dependendo da negociação”.

Guido Lemos destacou que “esses estudos têm cerca de 40 mil páginas de relatórios. No caso de middleware, 100 mil linhas de códigos desenvolvidas. Está na mão. Se vai ser explorado ou não é uma questão até de competência do Brasil enquanto Nação”.

Sobre a capacidade de produção da indústria, ele frisou que “temos uma indústria que instalou 15 milhões de receptores de satélite no Brasil. Produz entre 150 mil e 200 mil set top box receptores por mês e tem capacidade de produzir mais”.

Os testes do SBTVD serão realizados durante a Copa do Mundo nas cidades de São Paulo e Rio de Janeiro, devendo as emissoras iniciar as transmissões comerciais a partir de 7 de setembro.

Voltar

Paginas: 1 2  3  4  5  6  7  8