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Serra “não vê problemas” nas negociatas de FH O prefeito de São Paulo, José Serra (PSDB), tão logo soube da criação da CPI da privatizações para investigar o processo de entrega das estatais no governo anterior, declarou que não houve irregularidades nas privatizações que tiveram o seu caixa de campanha, Ricardo Sérgio de Oliveira (ex-diretor da área internacional do Banco do Brasil), como pivô de uma série de escândalos de cobrança de propinas e acertos para formações dos consórcios. “Não houve problema nas privatizações do governo passado”, afirmou Serra, ao visitar a zona Sul da capital paulista. “ESTAMOS JUNTOS” O criminoso processo de entrega do patrimônio público teve seu auge durante a privatização do Sistema Telebrás, quando foram reveladas as gravações telefônicas feitas no BNDES. Numa das gravações, Mendonça de Barros (então ministro das Comunicações de Fernando Henrique Cardoso) conversa com Ricardo Sérgio sobre a liberação de uma carta de fiança para o Opportunity, de Daniel Dantas. “Está tudo acertado”, diz Mendonça de Barros. “Mas o Opportunity está com um problema de fiança. Não dá para o Banco do Brasil dar?”. “Acabei de dar”, responde Ricardo Sérgio. “Dei para a Embratel e 874 milhões para o Telemar (Tele Norte Leste). Nós estamos no limite da nossa irresponsabilidade. São três dias de fiança para ele”, continua Ricardo Sérgio, soltando gargalhadas. “É isso aí, estamos juntos”, diz Mendonça de Barros. “Na hora que der merda, estamos juntos desde o início,” completa Ricardo Sérgio. PRIMO PRECIADO Ricardo Sérgio é acusado de pedir propina de R$ 15 milhões para obter apoio dos fundos de pensão ao consórcio do empresário Benjamin Steinbruch, que levou a Vale do Rio Doce, e de ter cobrado R$ 90 milhões para ajudar na montagem do consórcio Telemar. Ele também responde por ter perdoado a dívida de US$ 73 milhões do primo de José Serra, Gregório Marin Preciado, com o Banco do Brasil. Juntamente com o primo de Serra, Ricardo Sérgio orquestrou o dinheiro dos fundos de pensão para a aquisição de três empresas de energia elétrica no Nordeste. Serra era sócio de Preciado num terreno no Morumbi e mantinha uma empresa em sociedade com sua filha Verônica numa casa que pertencia ao primo. Tal empresa foi sonegada por Serra da Justiça Eleitoral em duas oportunidades. |