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“Valorizar o mínimo é romper essa camisa-de-força que tira perspectiva do trabalhador” Afirmou o presidente da Federação dos Trabalhadores nas Indústrias do Paraná e da Central Geral dos Trabalhadores do Brasil no Estado, Luiz Ary Gin, frisando que esta é a forma mais séria de distribuição de renda “Quando falamos em uma política que garanta a elevação e a valorização do salário mínimo, como ocorreu durante a Era de Getúlio Vargas, estamos falando da necessidade de fortalecer o mercado interno, aumentar o poder de compra dos cidadãos, mobilizar a produção, gerar mais empregos, dar uma nova perspectiva de vida para os milhões de trabalhadores e famílias que sobrevivem em uma camisa-de-força econômica, dar perspectiva para os aposentados que não conseguem comprar nem os remédios que necessitam para continuar vivendo. Esta é a forma mais fácil e eficiente de distribuir renda neste país, ao contrário de só estender à mão aos especuladores”, defendeu Luiz Ary Gin, presidente da Federação dos Trabalhadores nas Indústrias do Estado do Paraná (Fetiep) e da Central Geral dos Trabalhadores do Brasil (CGTB) paranaense. Na sua avaliação, “as manifestações unitárias das centrais sindicais, as iniciativas do governo como a criação da Comissão Quadripartite no âmbito do Ministério do Trabalho e Emprego devem caminhar para a consolidação de uma proposta séria e conseqüente de distribuição de renda”. “Não podemos mais compactuar com os argumentos sempre usados pelos governos anteriores de que a valorização do salário mínimo provocaria a quebradeira da Previdência Social, dos Estados, das Prefeituras e das pequenas empresas. Mas, ao contrário da falácia de alguns, é preciso dizer em primeiro lugar que o sistema de seguridade vem apresentando superávits elevados todos os anos, como comprovado pelos companheiros da Associação Nacional dos Fiscais da Previdência (Anfip)”, apontou. “É inaceitável a manutenção desse viés cuja única finalidade é obter um montão de superávit fiscal para o pagamento da dívida pública e aos ‘credores’ do FMI. Isso é mais um gargalo desta política ortodoxa implementada pelo ministro Palocci e o Banco Central”, frisou Luiz Gyn, alertando que “estamos em um momento promissor para proporcionar aumentos no salário mínimo e recuperar o valor perdido ao longo dos anos com a redução da drenagem dos recursos públicos para o setor especulativo, com redução da carga tributária e dos encargos financeiros”. PENSAR NO FUTURO Dobrar o valor do salário mínimo, com sua valorização permanente até que cheguemos aos níveis exigidos pela Constituição de 1988, enfatizou, “é pensar no futuro do povo. E para que isso ocorra, é preciso rever as perdas antigas, em especial no período desastroso de FHC”. Com isto, sublinhou, “estaremos enfrentando as desigualdades sociais tão gritantes que envergonham a nação brasileira. E para isso é preciso coragem política, mobilização constante, um projeto consistente e ação conseqüente para levá-lo a cabo. Fora disso, estaremos fazendo chover no molhado”. “É como diz o professor em economia Carlos Lessa: durante o governo de FHC passou a ser palavrão falar em desenvolvimento, em política industrial, em Estado Nacional. Pois falemos agora de tudo isso, porque é disso que precisamos!”, declarou. “A retomada do progresso social com geração de emprego e rendo, alavancando o desenvolvimento econômico e a garantia de um futuro promissor aos trabalhadores, passa, exclusivamente pela redução drástica das taxas dos juros e do superávit primário que foi implementado pelo Ministério da Fazenda e o Banco Central”, afirmou Na compreensão do sindicalista, “é necessário reaglutinar os setores interessados em um novo projeto de retomada do crescimento de caráter democrático e popular, construir uma plataforma antineoliberal e impulsionar o governo Lula para que sejam implementadas as mudanças que possam a vir a atender, de fato, os anseio da Nação brasileira”. De acordo com Luiz Ary Gin, “passado o período estafante de denúncias, movido pela fúria da oposição conservadora que governou o país durante duros e longos anos de desmandos, corrupção, entrega do patrimônio público, perseguição inconstitucional de direitos trabalhistas, demissões em massa jamais vistas, tanto no funcionalismo público como no setor privado, um arrocho brutal dos salários”, é importante que “entremos novamente no debate acerca de como construir um projeto nacional de crescimento que coloque como premissa fundamental a valorização do trabalho do homem e da mulher - que luta no seu dia-a-dia por uma vida digna”. CARÁTER NACIONAL Para o presidente da CGTB-PR, “mesmo com algumas mudanças de caráter nacional que já foram implementadas pelo atual governo, não é possível crescer, gerar empregos e distribuir renda com esta política macroeconômica baseada na ortodoxia neoliberal que impera no Ministério da Fazenda e no Banco Central: juros elevados para conter a inflação, superávit primário brutal para honrar os compromissos com a dívida externa e interna, enquanto se corta na carne os investimentos em infra-estrutura e na área social”. “O país não crescerá com os juros na estratosfera. Somente os que vivem da usura é que lucram com tal situação. É preciso retomar a valorização dos que investem na produção e não para os que se beneficiam da especulação financeira as custas da fome e da miséria de milhões de brasileiros ausentes do mercado de trabalho”, denunciou. “Com unidade é possível impedir o retrocesso político e, ao mesmo tempo, levantarmos bem alto as bandeiras da redução da jornada de trabalho, definir uma política de valorização do salário mínimo, reduzir as taxas de juros e o superávit fiscal, garantir a aplicação dos investimentos sociais. Só assim vamos caminhar no rumo do progresso”, declarou Gyn. ADEMAR COQUEIRO |