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Serra, teu passado te condena JOÃO FELICIO * Pelo rádio CBN, na manhã da última terça-feira, ouvi o prefeito José Serra tecer suas considerações sobre o que deveria ou não ser feito para o país avançar rumo a indicadores mais positivos. Natural, pois como todos lembram, os oito anos de Fernando Henrique Cardoso, do qual Serra foi ministro e candidato, foram pródigos em tentar destruir sistematicamente as conquistas do nosso povo, particularmente dos trabalhadores. Por que o presidenciável não fala da tentativa de flexibilização de direitos, com a supressão do artigo 618 da CLT, barrado pelo presidente Lula em atendimento ao clamor das centrais sindicais? E os R$ 40 bilhões tirados dos cofres públicos para uso eleitoreiro, em 1998, na desesperada tentativa de manter a paridade artificial do dólar? E os mais de R$ 100 bilhões arrecadados com a privatização do patrimônio público nacional, dos quais não se sabe o paradeiro a não ser para o pagamento de juros da dívida? E a política externa subserviente, na qual um representante do Estado brasileiro chegou até mesmo a retirar seus sapatos para ser aceito em território norte-americano? Como querer agora varrer para baixo do tapete as escandalosas privatizações, o desmantelamento do Estado público para beneficiar os cartéis estrangeiros, a desnacionalização de empresas e bancos, o desemprego em massa, a precarização e o brutal arrocho salarial? Como justificar a demagógica e irresponsável paridade que provocou rombos constantes na nossa balança comercial, estimulando o importacionismo e a quebradeira das nossas empresas? Com todas as divergências que temos contra a manutenção dos altos juros e do elevado superávit primário, é inquestionável que não há paralelo algum de comparação entre um governo e um desgoverno, um presidente e um serviçal. Querem que esqueçamos que foi FHC quem multiplicou por dez a dívida interna, que dilapidou nossos patrimônios públicos e privados, que comprometeu nossa soberania ao entregar estatais estratégicas para o nosso desenvolvimento, deixando uma bomba relógio econômica e social prestes a explodir no colo do novo governo? Usemos da nossa memória para aprender com o passado e fazer a roda da história girar para frente. *É presidente nacional da Central Ùnica dos Trabalhadores (CUT) |