1 2 3 4 5 6 7 8|Índice| Biblioteca|Assinatura|Expediente|Cartas|Não tropece na Língua
Envie sua carta: horadopovo@horadopovo.com.br | hp@webcable.com.br


Ira Kurzban, advogado do presidente Jean Bertrand Aristide, denuncia intervenção de Bush no Haiti:
“O que ocorreu foi um golpe operado pelos EUA”

“O que ocorreu em nosso país não foi uma rebelião, foi um golpe de Estado dirigido, operado e equipado pelos serviços de inteligência dos Estados Unido”, denunciou Ira Kurzban, advogado do presidente haitiano Jean Bertrand Aristides, atualmente exilado na África do Sul.

O jurista, que reside na Flórida, esclareceu, na entrevista à agência cubana, Prensa Latina, que a armação teve início “depois que esses serviços de inteligência selecionaram um grupo de pessoas preparadas e treinadas na República Dominicana”.

“Eram homens armados com M16, M60, lança-foguetes e outros equipamentos.” E acrescentou “usavam uniformes novos, coletes antibala, munições ordenadas de maneira profissional e cruzaram a fronteira com o único propósito de realizar um trabalho para os serviços de inteligência dos Estados Unidos”.

O advogado também deixou claro quem eram os principais haitianos interessados na queda de Aristides: “Três pessoas estavam à frente do golpe. O primeiro, um indivíduo chamado Jean Tatoune, que havia sido condenado à prisão por violações dos direitos humanos e assassinato e foi sentenciado à prisão perpétua por sua participação no que se chamou massacre de Raboteau, durante o golpe militar de 1994”. “É a pessoa que estava por trás das armações em Gonaives, cidade a 150 quilômetros à nordeste da capital haitiana – de onde começou a chamada rebelião.”

Kuzban explica a importância da tomada de Gonaives para a continuação do golpe: “enquanto Gonaives foi tomada, em menos de duas semanas cerca de 40 pessoas cruzaram a fronteira da República Dominicana, muito bem equipados”.

“Os outros dois líderes se somaram em Gonaives: Um deles Jodel Chamblain, que em 1994, junto com uma Emmanuel Constant formaram a FRAPH (Frente Revolucionária Para o Avanço e Progresso do Haiti), por indicações de um oficial chamado Collins, da Agência de Inteligência de Defesa que agia pela embaixada norte-americana no país”, denuncia Kuzban.

“Foram eles, que durante o golpe de 94, sequestravam de suas casas os seguidores do Partido Lavalás, os executavam e logo atiravam os cadáveres em valas comuns”, recordou o jurista.

Em seguida, Kuzban desmascara o a real origem da FRAPH: “Três anos mais tarde, quando Constant residia nos Estados Unidos e estava para ser deportado para o Haiti, após a volta de Aristides, declarou ao programa ‘60 minutes’ que havia trabalhado para a CIA e por isso tinha muito medo de regressar ao Haiti”.

“Finalmente, quando o golpe já estava encaminhado, os Estados Unidos forçaram o presidente Aristides a subir em um avião, porém antes lhe disseram que teria que assinar uma carta de renúncia, ou o abandonariam para que fosse morto”, conclui o advogado.

Voltar

Paginas: 1 2  3  4  5  6  7  8