|
1
2 3
4 5
6 7 8|Índice|
Biblioteca|Assinatura|Expediente|Cartas|Não tropece na Língua |
|
|
|
Fala o Povo O dia em que Arnaldo Jabor se olhou no espelho... e se viu Cordel enviado pelo poeta Jorge Filô, de Recife, Pernambuco Este cordel que apresento Sem nenhuma pretensão E mesmo que lhe pareça Ser verdadeira a versão Ainda que eu não garanta É uma mera ficção.
Assim começa o cordel Justo na reflexão Tô falando do espelho Da nossa imaginação Que as vezes num belo dia Prega em nós grande lição.
Como se Arnaldo Jabor Num exame de consciência Um belo dia acordasse Com toda sua eloqüência E em conversa mostrasse Sua verdadeira essência.
“Caros amigos leitores Eu sou Arnaldo Jabor Cineasta e jornalista Direitista e traidor Também sou um caga-pau Xeleleu e delator.
Do clã Roberto Marinho Sou baba-ovo da hora Digo só o que eles querem Creio e nego, sem demora Sou um neo-liberalista Por enquanto, até agora..
Um dia já fui esquerda Era na luta engajado No cinema brasileiro Contestei fui contestado Hoje meu cinema é outro Pelo poder fui comprado.
Hoje voto na direita No maior descaramento Nego tudo que outrora Mostrava em meu pensamento Glauber Rocha tando vivo Seria o meu tormento.
Mudei de convicções As antigas companhias Agora sou um amigo Das grandes oligarquias Digo tudo qu‘eles mandam Mentiras, patifarias.
É assim que a coisa anda É assim que o mundo gira Sou um lobo carniceiro A serviço da mentira Se eu não tirar o meu Chega outro vem e tira.
Faço uso da palavra Pra defender meu quinhão Quero mais é que se fôda Quem defende esta nação Meu caviar garantido Para quê preocupação.
Sou perverso no que digo E ainda sou respeitado Pois a mentira é quem dita Dita por quem tá do lado Dos grandes exploradores Do poder televisado.
Faço do verbo navalha Quero mais é t’ar por cima Vai viver sempre enganado Aquele que subestima A minha capacidade De cagar uma obra-prima.
Agora devo ir embora Meu trabalho me espera Vou inventar outra estória Para parecer de Vera E quem ler sempre acredita Na minha nova quimera.”
Este cordel esquisito Que acabamos de ler É fruto do pensamento Que acabo de escrever Me chamo Jorge Filó Em mim você pode crer. |