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Não Tropecena Língua O não-uso da crasenas generalidades MARIA TEREZA DE QUEIROZ PIACENTINI* — O correto é “crédito sujeito a aprovação” ou “crédito sujeito à aprovação”? Sérgio Schüler — Minha consulta é sobre o emprego da crase nos dois casos abaixo: 1 – Descumprimento de ordem judicial pode levar prefeito à condenação. 2 – O prefeito está respondendo a ação penal no TRE. Rui Zilnet, Rio de Janeiro/RJ Entre os usos proibidos da crase, consta que não se usa o a craseado diante dos pronomes em geral, que repelem o artigo e portanto configuram termos indefinidos, e diante de substantivo feminino usado em sentido geral e indeterminado. Isso acontece porque a crase só tem cabimento diante de palavras femininas determinadas pelo artigo definido A ou AS. Às vezes – principalmente quando o contexto deixa margem a dúvidas – é preciso tirar a prova dos noves imaginando uma palavrinha indefinida na frente do substantivo em questão. Se ela pode ser usada, significa que o “a” que se encontra ali é apenas uma preposição, e não um “a craseado”. Usando as frases dos consulentes, o exercício mental é o seguinte: – Descumprimento de ordem judicial pode levar prefeito a [uma / alguma] condenação. – O prefeito está respondendo a [uma] ação penal no TRE. – Crédito sujeito a [uma / qualquer] aprovação. Bastaria, no entanto, que a ‘aprovação’ (para tomar como exemplo a última frase) viesse determinada para que a crase fosse usada: “Crédito sujeito à aprovação da diretoria”. Da mesma forma: . Programa sujeito a confirmação. . Planos sujeitos a alteração. . Decisão submetida a votação. . Cardeal submetido a cirurgia do coração. Porém: . Programa sujeito à confirmação estabelecida na Portaria n° 020/05. . Planos sujeitos à alteração proposta anteriormente pela minoria. . Decisão submetida à votação do plenário. . O Cardeal será submetido hoje à cirurgia do coração prevista para ontem. Nas manchetes de jornais aparecem muito as frases sem tal crase, pois na chamada da notícia o substantivo em foco ainda não foi determinado. É o caso específico da manchete “Bomba explode em frente a escola”. Qual escola? Ainda não se sabe. Somente no texto que se segue é explicitado: “Uma bomba feriu ontem quatro policiais que trabalhavam em frente à escola Colombina, localizada no condado etc.” Vejamos outras frases em que se subentende uma palavra indefinida diante de um substantivo que à primeira vista parece dever ser craseado: . TRF antecipará pagamento a credora do INSS que sofra de doença grave. [qualquer uma] . Aposentou-se para dar lugar a gente nova [= a pessoas novas] . A hidrolipoaspiração permite a retirada de gordura sem necessidade de o paciente ser submetido a transfusão de sangue. [ = a uma transfusão de sangue] . A sociedade sabe que a tapeação é generalizada e que isso não levará a boa coisa. [ = a nenhuma boa coisa] Muitas vezes a idéia de generalidade é dada pelo mero uso do plural: . É um homem pouco afeito a cortesias. . No relatório foi esquecido o item “subvenção a instituições culturais”. . TRF antecipará pagamento a credoras do INSS que sofram de doença grave. . Assista a estréias do jeito que uma estréia deve ser assistida. . As declarações foram apresentadas fora de contexto, servindo a conclusões preconcebidas. * Diretora do Instituto Euclides da Cunha e autora dos livros ‘Só Vírgula’, ‘Só Palavras Compostas’ e ‘Língua Brasil – Crase, pronomes & curiosidades’ - www.linguabrasil.com.br |