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Tropas dos EUA espionam recursos naturais e assassinam no Paraguai

“No Paraguai, marines e grupos especiais que atuam como paramilitares chefiados pelo Pentágono são responsáveis por mais de 30 desa-parições e mortes de trabalhadores nos últimos três meses, pela intimidação sobre as organizações sociais e por espionagem em regiões de interesse econômico para os EUA”, denunciaram na sexta-feira, dia 21, organizações sindicais e religiosas, dirigentes sociais e camponeses de vários países da América Latina, que realizaram uma Missão Internacional de Observação para denunciar a ingerência ianque. A atividade foi organizada durante o 6º Forum Social Mundial, realizado na Venezuela, em janeiro de 2006, e ocorreu entre 16 e 20 de julho.

O centro de operações das tropas americanas é Mariscal Estigarribia, cidade localizada no Chaco paraguaio a 100 km da província argentina de Salta e a 250 da boliviana Tarija. Lá está assentado o Comando Sul dos Estados Unidos que conta com 2800 marines.

No início de 2005 o Congresso paraguaio outorgou permissão para que as tropas estrangeiras se instalassem no país com total imunidade e liberdade de circulação. O local onde atuam está estrategicamente situado entre uma região rica em lítio (Salta), e a maior reserva de gás da região (Tarija).

“Este não é um problema só paraguaio, se trata do Pentágono querendo controlar as riquezas e as democracias da região e se aproveita de um governo fraco que não impõe respeito, prejudicando todos os países vizinhos”, afirmou José Roselli, dirigente do partido da Revolução Democrática da Argentina, que integrou a Missão.

Apesar de haver declarado que não estabeleceria bases permanentes na região, os EUA construíram em Mariscal Estigarribia uma pista de aterrisagem de 3800 metros de comprimento para que possam operar aviões de grande porte. A pista é maior que a do aeroporto internacional de Assunção.

Orlando Castillo, do Serviço de Paz e Justiça paraguaia assinalou que Roberto Mueller, diretor do FBI, declarou que está em andamento a instalação de um escritório permanente em Assunção para “tratar da segurança na luta contra a delinqüência internacional, o tráfico de drogas e os seqüestros, desculpa corriqueira que os EUA usam para ingerir nos assuntos de nossos países”.

O Conselho Mundial de Igrejas, as Mães da Praça de Maio da Argentina, o Sindicato dos Professores de Assunção, a Coalizão Nacional contra as bases Militares Estrangeiras do Equador, a Universidade de Sinaloa do México, o Serviço Paz e Justiça da América Latina, entre outras entidades, fazem parte da Missão. 

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