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Editorial

A taxa de juros Selic de 14,75% fixada pelo Copom em julho é a mais baixa dos últimos 31 anos. Isso é fato. Porém, este fato não deve servir para obscurecer um outro mais relevante que dele decorre: a taxa de juros real, que é o que importa, segue escandalosamente alta, na casa dos 10,3%, mais elevada inclusive do que a de 9,2%, praticada em agosto de 2004, conforme revela o deputado Delfim Neto, em matéria na página 2.

É verdade que a pressão da sociedade e do governo obrigaram o sr. Henrique Meirelles e sua equipe tucana no BC a conter a despudorada escalada dos juros, que derrubou a taxa de crescimento do PIB, em 2005, para os minguados 2,3%. Porém, já está mais do que claro que as reduções homeopáticas das taxas nominais, iniciadas em agosto de 2005, não visam levar as taxas de juros reais a patamares compatíveis com a retomada do desenvolvimento econômico. O objetivo é exatamente o oposto. Procrastinar a queda e manter as taxas reais na casa dos 10%, sangrando o setor produtivo e impedindo que o Brasil cresça conforme suas reais potencialidades.

O maior entrave ao pleno florescimento da obra de reconstrução nacional, iniciada pelo presidente Lula, a partir de sua eleição, se encontra na política de juros de escorcha manejada pelo Banco Central.

É compreensível que às vésperas das eleições a prudência recomende evitar mudanças que possam parecer bruscas. Mas seria um erro maior nutrir qualquer ilusão de que as raposas possam agir contra sua natureza, particularmente quando estão de posse da chave do galinheiro. 

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