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Indústria responsabiliza as  ‘autoridades econômicas’ pelo pequeno crescimento

O diretor do Departamento de Economia do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), Boris Tabacof, responsabilizou as “autoridades econômicas” e sua política de juros altos pelo crescimento de apenas 2,3% do PIB no ano passado, afirmando que a indústria está apreensiva. “Embora a expansão de 2,5% da indústria tenha sido decisiva para o avanço do PIB, sabemos que o ano de 2005 poderia ter sido triunfal, após crescimento de 4,9% em 2004, não fosse a resistência das autoridades econômicas em manter a taxa real de juros acima de dois dígitos – a maior do mundo -, um câmbio que parece não ter mais piso e uma carga tributária insana”, disse Tabacof. De acordo com ele, o quadro pode ser atenuado com o “afrouxamento da política monetária” e os investimentos do governo, o que resultaria em “algum alívio para os setores produtivos da economia brasileira, fazendo de 2006 um ano melhor”.

Para a Confederação Nacional da Indústria (CNI), 2005 foi um ano ruim para o investimento. “Isso mostra que a política monetária restritiva tem efeitos adversos relevantes sobre os investimentos”, declarou Paulo Mol, economista da entidade.

O presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, também apontou os juros altos como responsável pelo baixo crescimento: “O Brasil, em prejuízo do crescimento sustentado, não pode continuar privilegiando uma errônea e acovardada política monetarista, baseada na premissa de um passado remoto de inflação, que não é mais realidade”.

Por sua vez, a agricultura discordou do crescimento de 0,8% do setor apurado pelo IBGE, considerando-o superestimado. “A crise do setor é muito maior do que indicou o IBGE”, disse Ivan Wedekin, secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, considerando que o resultado “foi light perto da real crise que atinge a agricultura”. Para o chefe do Departamento Econômico da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil, Getúlio Pernambuco, “o número do IBGE não revela a realidade do setor rural. Os números devem ser revistos levando-se em conta também os preços, além da quantidade produzida”.   

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