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Dólar baixo ameaça setor calçadista Em entrevista coletiva em São Paulo, o presidente da Associação Brasil das Indústrias de Calçados (Abicalçados), Elcio Jacometti, disse que a acentuada desvalorização do dólar trará como conseqüência para o setor uma queda maior na produção e na exportação, o que fará com que os produtores brasileiros façam “igual aos americanos e italianos, que de fabricantes passaram a ser distribuidores”. Jacometti explicou que no ano passado 23 milhões de pares de sapatos deixaram de ser exportados, o que implicou em 20 mil desempregados. “Se nada for feito imediatamente, o setor viverá uma catástrofe pior do que em 1993, quando setor teve o impacto do Plano Real e fechou centenas de fábricas”, afirmou. Na avaliação do presidente da Abicalçados, caso a situação persista este ano, 85 milhões de pares de sapatos deixarão de ser produzidos e mais 25 mil pessoas serão desempregadas. Em janeiro as exportações do setor alcançaram US$ 141 milhões, abaixo dos US$ 151 milhões obtidos em janeiro do ano passado. O câmbio valorizado está levando a que muitas empresas licenciem produtos e exportem a partir de outros países, como China e Argentina, inclusive para o Brasil, como, por exemplo, os calçados femininos da Azaléia que foram exportados a partir da China para os EUA. Segundo o gerente de Marketing da empresa, Paulo Santana, “fomos obrigados a importar produtos da China e exportar para os EUA. Era a única maneira de manter esse mercado, que investimos milhões para conquistar”. “Esse sapatos deveriam ser feitos no Brasil. Ampliar os negócios no exterior é maravilhoso. O problema é transferir produção, por incapacidade de fabricar no país”, sublinhou. Ainda segundo Santana, “a marca Azaléia representa um sapato de preço médio no exterior. Com a valorização do real, nosso sapato subiu tanto, que começou a sair de suas faixa de preço”. Entre as reivindicações encaminhadas pela Abicalçados ao
governo federal estão uma nova linha de crédito do Banco Nacional de
Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) específica para capital de giro,
com juros menores e pagamento de longo prazo, a equalização dos fatores de
competitividade do setor exportador – câmbio juros -, restituição de créditos
de PIS, Cofins e IPI, dos créditos de ICMS oriundos das exportações e elevação
da tarifa externa comum do Mercosul de calçados para 35%. |