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“Crescimento na política de juros é proibido”, diz Iedi

“Levar em conta o crescimento econômico na política de juros é proibido; o mesmo vale para intervenções mais fortes no câmbio; promover políticas setoriais e incentivar os investimentos públicos e privados, nem pensar. Com tantas amarras para a economia real, qual a surpresa que os dados do PIB referentes a 2005 trazem para a economia brasileira? Rigorosamente nenhuma: o crescimento de 2,3% (4,9% em 2004) foi muito baixo”, afirma o Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi) diante do resultado do Produto Interno Bruto (PIB) no ano passado.

“A relação desse crescimento com o que ocorreu no resto do mundo dá a medida de que, mais uma vez, o Brasil deixou passar essa oportunidade de progredir”, diz o Instituto.

 O baixo desempenho da economia brasileira já tinha sido assinalado no terceiro trimestre, quando apresentou resultado negativo (inicialmente 1,2%, corrigido agora para 0,9%), o que não impediu que o ministro da Fazenda, Antonio Palocci, declarasse aos jornalistas, no dia seguinte ao anúncio daquele resultado, que o Brasil “estava surfando na onda do crescimento mundial”.

Por setores, na composição do PIB, a indústria apresentou elevação de 2,5%, serviços cresceram 2,0% e a agropecuária, 0,8%. Neste último segmento, segundo Rebeca Palis,  gerente de Contas Nacionais do IBGE, “o ano foi muito afetado pela quebra de safra e pela febre aftosa no quarto trimestre, principalmente em Mato Grosso do Sul” – resta acrescentar que o contingenciamento de recursos que deveriam ser destinados ao combate à doença foi fator para o surgimento da febre.

Na agricultura, os piores desempenhos ficaram com algodão, milho, café, fumo, laranja e arroz.

Para o Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), “conseguiu um resultado melhor quem logrou driblar a insensatez da política econômica. Graças, sobretudo a inovações creditícias (crédito consignado, por exemplo) que permitiram ao consumidor obter recursos a taxas menores do que os níveis verdadeiramente absurdos que vigoram no país, alguns segmentos impediram um maior retrocesso da economia”.

O Iedi avalia que “o crédito foi também importante para o consumo das famílias registrasse aumento de 3,1%. Um forte estímulo derivado das condições internacionais (ferro) e a evolução da Petrobrás para assegurar a auto-suficiência em petróleo foram determinantes no crescimento de 10,9% da indústria extrativa”.

A indústria de transformação, que corresponde a cerca de 60% do PIB  industrial, cresceu apenas 1,3%, quando no ano anterior teve um aumento de 7,7%.

“Os dados de 2005 também deixam claro que o investimento sofre mais o impacto das elevações de juros do que o consumo. Isso é negativo porque leva a uma desaceleração no aumento da capacidade produtiva”, diz o Iedi.

O economista Armando Castelar, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), considera que com uma política econômica restritiva o “clima não é para investimentos”. Diz ele que “como não se investe, não consegue crescer rápido”.

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