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Centrais põem o bloco na rua por aumento real na aposentadoria

Bloco “Quero o que é meu” toma as ruas de São Paulo por ganho real para 8 milhões de pensões e aposentadorias

Convocados pelas centrais sindicais CUT, CGTB, CGT, CAT, Força e SDS, milhares de aposentados e pensionistas se somaram ao Bloco “Quero o que é meu”, dia 23 de fevereiro, ganhando as ruas da capital paulista por  aumento real para o conjunto do segmento e recomposição das perdas.

Ao som de “Ei, você aí, me dá um dinheiro aí, me dá um dinheiro aí”, acompanhados de bandinha, baianas, pernas de pau, palhaços e mulatas, os manifestantes ergueram faixas, bandeiras e cartazes por aumento digno do salário benefício, transformando o viaduto Santa Ifigênia, em frente à sede do INSS, num animado palco.

“Pena de mim, que nada, eu quero o que é meu e basta!” dizia uma das dezenas de faixas erguidas por aposentados e pensionistas de todas as categorias e regiões de São Paulo, que dançaram as marchinhas, cobertos por confete e serpentina, em meio às bandeiras e camisetas das centrais.

Em recente acordo com o governo federal, as centrais garantiram o aumento do salário mínimo de R$ 300,00 para R$ 350,00 (16,67%), que beneficiará cerca de 16 milhões de aposentados e pensionistas. “Agora, queremos que os oito milhões que recebem acima do mínimo também sejam contemplados com o aumento. É uma questão de justiça, pois são trabalhadores que contribuíram ao longo de suas vidas com a construção do nosso país e que vinham sendo desrespeitados pelos governos neoliberais, com sua política de arrocho e descaso com este sofrido segmento”, declarou o presidente do Sindicato Nacional dos Trabalhadores Aposentados e Pensionistas (Sintap) da CUT, Wilson Roberto Ribeiro.

O presidente do Sindicato dos Aposentados e Pensionistas do Estado de São Paulo e vice-presidente da Central Geral dos Trabalhadores do Brasil (CGTB), Oswaldo Lourenço, declarou que “é com estas mobilizações nas ruas de São Paulo e do país, em defesa da Previdência Social Pública de qualidade, que vamos conquistar na integra, o mesmo aumento dado ao salário mínimo para toda nossa categoria”. “E para dar mais força a esta bandeira de luta, a Confederação Brasileira de Aposentados e Pensionistas (Cobap), em conjunto com as centrais sindicais está convocando uma marcha nacional para o próximo dias 7 e 8, em Brasília, com corpo-a-corpo no Congresso Nacional”, sublinhou Oswaldo. 

CENTRAIS UNIDAS 

Presente ao ato, o presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), João Antonio Felício, ressaltou que, “assim como na luta pelo aumento digno para o salário mínimo, a união das centrais será decisiva para vencermos esta batalha pelo salário benefício. É com unidade, mobilização e luta que vamos conquistar melhorias. É botando o povo na rua que se consegue mais dinheiro no bolso”. Segundo Felicio, “o argumento do governo de que não tem recursos não convence. É preciso que a Previdência cobre de quem deve, que as empresas registrem os seus trabalhadores, que os tirem da informalidade, aí teremos dinheiro para o cidadão que construiu o Brasil”.

O vice-presidente da Central Geral dos Trabalhadores do Brasil (CGTB), Ubiraci Dantas de Oliveira (Bira), lembrou que as perdas vêm de muito tempo, desde a época de Collor e Fernando Henrique, mas que agora é necessário que o governo, da mesma forma como fez com o salário mínimo, priorize o aumento do poder aquisitivo do salário benefício de oito milhões de pessoas. “O dinheiro existe, é só baixar os juros, eliminar o superávit primário e investir na produção, em quem sua e suou para erguer a Pátria. Esta é uma luta justa de todos os que têm compromisso com a dignidade. Por isso, vamos mobilizar o país e marchar unidos a Brasília para conquistar mais esta vitória”, acrescentou Bira.

O presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva (Paulinho), enfatizou que “unidas, as centrais já mandaram carta ao presidente, lembrando que temos março e abril para negociar. Enquanto isso, vamos fazer um grande carnaval pelas ruas do país, porque o aumento vai ser do tamanho da nossa mobilização”.

O deputado federal Vicente Paulo da Silva (Vicentinho), também reiterou “o papel chave da unidade das centrais, que só trouxe vitórias”. “Vou lutar para aprovarmos um projeto que assegure o mesmo reajuste para todos, pois é constrangedor essa história de separação do salário mínimo de quem está trabalhando e do aposentado”, enfatizou.

LEONARDO SEVERO   

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