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Brasil desenvolve programa que monitora vazamento em oleoduto com alta precisão

“Todos os sistemas utilizados atualmente no Brasil são importados. Nosso objetivo é chegar a um sistema inteiramente nacional”, diz Paulo Seleguim, que coordenou o desenvolvimento do programa, que custará cinco vezes menos do que os similares

Pesquisadores da Escola de Engenharia de São Carlos (EESC) e da Universidade de São Paulo (USP) desenvolveram um programa de computador que identifica vazamentos em oleodutos utilizando inteligência artificial. O software desenvolvido detecta as condições de escoamento e alerta para problemas no funcionamento das tubulações com acerto de 100%, além de custar cinco vezes menos que os similares disponíveis no mercado, que são todos importados.

Os primeiros testes foram feitos em tubulações de água e ar, elementos utilizados para simular misturas de óleo e gás. As experiências envolveram 3 mil simulações de escoamento num oleoduto piloto da EESC. “O índice de acerto foi de 100%. Todos os vazamentos artificiais produzidos durante os testes foram detectados pelo sistema, explica o coordenador do projeto e professor da EESC, Paulo Seleguim Júnior.

“Por meio das medidas de pressão, o sistema é ‘treinado’ para identificar as várias condições de operação normal do oleoduto, ou seja, quando não há vazamento”, diz Seleguim . “Após receber as informações, o software passa a monitorar a tubulação e ao verificar qualquer problema, lança um sinal de alerta”.

O programa foi desenvolvido para ser aplicado principalmente nas indústrias, onde o nível de pressão é mais usado para identificar vazamentos. O pesquisador destaca que um vazamento como o de petróleo, por exemplo, pode trazer graves conseqüências para a empresa e para o meio ambiente.

“O programa utilizado hoje no monitoramento de oleodutos, baseado em modelos mecanicistas, custa cerca de US$ 500 mil, enquanto o programa de inteligência artificial poderá substitui-lo ao custo aproximado de US$ 100 mil”, esclarece o professor.

Para aplicar a pesquisa, as instituições buscaram o apoio da Petrobrás no sentido de viabilizar a sua utilização pela estatal e a liberação dos recursos financeiros para a realização dos testes. Quando entrar em operação, o programa será de grande utilidade para ajudar a Petrobrás a detectar possíveis vazamentos durante as suas operações. “Utilizando o que chamamos de lógica difusa, o programa consegue tomar decisões precisas, como acionar o desligamento da bomba em caso de vazamento”, explica o pesquisador da EESC.

“Todos os sistemas utilizados atualmente no Brasil são importados. É curioso que o país esteja se tornando auto-suficiente na produção de petróleo, mas sem dominar a maior parte das tecnologias envolvidas no processo de exploração. Nosso objetivo é chegar a um sistema inteiramente nacional e adaptável a diferentes particularidades das tubulações”, destaca Seleguim.

A elaboração do software e os testes experimentais estão sendo conduzidos por dois doutorandos da Escola de Engenharia de São Carlos, Marcelo Selli e Kelen Crivelaro.

JOSI SOUSA   

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