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Povo nas ruas da Índia: “Bush assassino, volte pra casa!”

Cem mil saíram às ruas de Nova Deli, Bombaim e outras cidades em repúdio à visita do carniceiro ianque, classificada como “um insulto à Índia”

Mais de 100 mil pessoas marcharam pelas ruas centrais de Nova Deli entoando “Bush assassino, volte pra casa!”, em repúdio à presença do presidente dos Estados Unidos na Índia, na quarta-feira, dia 1º. Durante os protestos foram queimados bonecos representando a figura do carniceiro ianque.

Os protestos massivos em repúdio à presença de Bush foram convocados pelas principais forças sociais, políticas, religiosas e intelectuais do país. “Em toda a Índia, desde as maiores cidades até às menores aldeias, em lugares públicos e nos lares, Bush, esse que ocupa a presidência dos Estados Unidos da América, essa encarnação do pesadelo mundial, simplesmente não é bem-vindo”, afirmou em seu discurso a escritora Arundhati Roy.

As ruas centrais da capital indiana se transformaram em um mar de bandeiras brancas e negras e faixas que diziam “Morte a Bush”, “Terrorista n° 1 do mundo” e “Carniceiro da Humanidade”. Houve manifestações grandes também na cidade de Bombaim. “Bush é  o terrorista número 1, e é um insulto à Índia a sua visita ao país”, denunciou Muhamed Said Nuri, da Academia Raza (muçulmana com sede em Bombaim).

“Bush primeiro destruiu o Afeganistão e depois o Iraque. Ele deveria ser impedido de entrar na Índia”, acrescentou Nuri. 

REVOLTA  

A população expressou sua revolta pela visita que Bush pretende  realizar ao memorial Mahatma Gandhi. “Isso é a mesma coisa que derramar um copo de sangue sobre nosso líder”, disse Ibrahim Sayeed, presidente da organização islâmica Jamaat-e-Islami, assinalando que “todos os indianos, independente de religião ou definição política, acreditamos que, com a sua trajetória entre os Não-Alinhados e sua posição independente nas questões internacionais, o nosso país não vai apoiar em nada ao governo dos EUA”.

O líder do Partido Comunista, Prakash Karat, apontou que as manifestações contra a política imperialista norte-americana serão “as maiores dos últimos tempos. Queremos Bush fora daqui. Protestamos contra a política norte-americana especialmente as atrocidades no Afeganistão e no Iraque, as ameaças contra o Irã e seu contínuo apoio à ocupação ilegal de Israel na Palestina”.

Em Hyderabad, cidade de maioria muçulmana situada no centro da Índia, onde Bush irá depois de sua passagem por Nova Delhi, milhares de pessoas iniciaram o protesto já na quarta-feira, convocando passeatas e atos ainda maiores para os próximos dias. Foi convocada uma greve geral nela e nas cidades vizinhas para o dia 3, quando está prevista a chegada de Bush. “Isto é  para protestar contra as agressões de Bush aos países árabes e aos muçulmanos em todo o mundo”,  declarou  Maulana Rahim Qureshi, presidente do partido Tameer-e-Millat. Nas mesquitas de Hyderabad o protesto pela presença de Bush foi feito com o hasteamento de bandeiras negras. 

PRESSÕES DA CASA BRANCA  

Milhares de estudantes universitários se manifestaram no campus da Universidade Jawaharlal Nehru.

O exagerado esquema de segurança imposto pela Casa Branca, e que transtornou a vida da capital, foi mais um motivo para a revolta. Helicópteros, limusines blindadas, equipes eletrônicas, atiradores, mais de 700 ‘especialistas’ em segurança foram trazidos de Washington. “Essa é a melhor demonstração de que a Casa Branca sabe que ninguém quer George Bush aqui”, frisou o ator e político Raj Babear, um dos oradores do gigantesco ato.

A Casa Branca pretende pressionar o governo de Manmohan Singh para que reduza as barreiras comerciais e pretende ingerir no programa nuclear hindú, submeter as plantas nucleares Índia a inspeções da AIEA e forçar a compra de combustível nuclear nos EUA. “Exigimos que o governo não assina um acordo nuclear que mina a nossa soberania e integridade”, afirmou Muhamed Saidudin da Organização Islâmica de Estudantes.

O secretário do Conselho de Legistas Muçulmanos da Índia, Kureishi, declarou: “estamos protestando contra as tentativas da América de  ter sua hegemonia na Ásia impedindo países de se capacitar estrategicamente do ponto de vista nuclear. A pressão sobre a Índia para assinar o acordo nuclear faz parte disso”. 

SUSANA SANTOS   

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