1 2 3 4 5 6 7 8|Índice| Biblioteca|Assinatura|Expediente|Cartas|Não tropece na Língua
Envie sua carta: horadopovo@horadopovo.com.br | hp@webcable.com.br


Sadam desqualifica xerox forjicada na ‘corte’ de Bush

O líder iraquiano desmontou a farsa do amestrado “promotor”-chefe com seu papelucho: “Onde está o crime em levar a julgamento aqueles que dispararam contra um chefe de Estado?”, arguiu o presidente Sadam, deixando os capachos acuados

“Onde está o crime em levar a julgamento aqueles que dispararam contra um chefe de Estado?”, afirmou o presidente Sadam Hussein perante a “corte” de Bush no Iraque, após relatar que “as balas zuniam por todo lado” e que “foi salvo porque Alá quis”, descrevendo o atentado com metralhadoras em Dujail, organizado pelo Partido Dawa, do atual primeiro-fantoche Ibrahim Jaafari, da quinta-coluna sediada em Teerã, em plena guerra Irã-Iraque em 1982. A manifestação de Sadam desmontou a farsa do lacaio “promotor”-chefe com um papelucho, um xérox, que dizia ter sido “assinado” pelo presidente. Acuado, o “juiz”-chefe Raouf Abdel Rahman adiou para o dia 16 de março a próxima “audiência”.

Sadam voltou a aproveitar a corte do invasor para se dirigir, pela TV, ao povo iraquiano, que os EUA tenta lançar na guerra civil, através de atentados a mesquitas, assassinatos, tortura e outros crimes, na ilusão de perpetuar seu assalto ao petróleo árabe. Ele lembrou a profunda unidade de todos os iraquianos na guerra que o país foi forçado a lutar contra o Irã e onde, como se sabe, os xiitas iraquianos tiveram um papel essencial: “Sadam não venceu em 1988, quem venceu foi o povo iraquiano, árabes e curdos e todas as outras religiões e seitas”. “O povo deve se unir, todas as religiões, todos os grupos étnicos”, afirmou, acrescentando que “vocês sabem de tudo o que está acontecendo, nosso interesse exige que o povo seja como um só punho contra o invasor”. 

QUINTA-COLUNA  

Como se vê, é à investigação e punição da tentativa de assassinato de Sadam - atentado organizado então pelo Irã e levado a cabo pela quinta-coluna - que os lacaios, trazidos para o Iraque sob escolta dos marines e dos tanques e aviões ianques, encenam, com as graças da mídia imperial, ter sido um “massacre” de inocentes camponeses e até bebês. Sadam desafiou os lacaios travestidos de “juízes”: “se levar a julgamento um acusado de disparar contra um chefe de Estado – não importa qual seja seu nome – é considerado crime, então vocês têm o chefe de Estados em suas mãos. Julguem-no”. Ele se apresentou como o “responsável” pela decisão de levar a julgamento os terroristas, e exigiu que os demais acusados fossem libertados.

Deixando claro ter agido dentro da lei iraquiana e de acordo com suas prerrogativas como presidente, diante de uma tentativa de assassinato, ainda mais em plena guerra, Sadam voltou a insistir: “se a figura principal torna as coisas mais fáceis para vocês dizendo ser o único responsável, então porque não libertam essas pessoas?” “Um chefe de Estado está aqui. Julguem-no e libertem os demais”, afirmou, referindo ao vice-presidente Taha Ramadan, seu irmão Barzan e outros líderes iraquianos. 

“DE ACORDO COM A LEI”  

Apontando para Awad Al Bandar, presidente da Corte Revolucionária do Iraque, Sadam disse que “encaminhou [os prisioneiros] à Corte de acordo com a lei”. Continuando, ele afirmou que Awad “julgou-os de acordo com a lei – ele tinha o direito de julgar ou desistir de acordo com a lei, e de acordo com seu próprio julgamento”. Quanto à destruição de pomares de propriedade dos participantes da tentativa de assassiná-lo, Sadam lembrou que, de acordo com a lei iraquiana, “o governo tem o direito de expropriar a terra por interesse nacional pagando indenizações”. “Eu erradiquei os pomares. Isso não significa que dirigi um buldozzer e arrasei a terra, mas erradiquei-os. Foi uma resolução tomada pelo Conselho do Comando da Revolução, de que se fosse provado que eles eram culpados do assalto criminoso contra mim, seus pomares seriam erradicados”. “Se nada na lei dá o direito ao Conselho da Revolução de decidir sobre expropriar terra e dar a seus proprietários indenização, eis então o chefe do Conselho Revolucionário aqui em suas mãos”, acrescentou Sadam.

Algumas mariposas mais assanhadas se apressaram em ver nas declarações de Sadam a “admissão” da culpa no massacre, mas não foi isso que aconteceu, até mesmo porque não houve massacre algum. Como registrou um especialista do “Human Rights Watch”, organização que não pode ser acusada de simpatia pelo presidente iraquiano, “o que nós vimos hoje não foi Sadam admitindo a culpa, mas admitindo o fato de que agiu de acordo com seus deveres oficiais e poderes”. De forma semelhante, o “Washington Post” registrou que “um desafiador Sadam Hussein admitiu na quarta-feira que ordenou os julgamentos de 148 iraquianos que foram mais tarde executados, mas negou que tenha cometido qualquer crime e disse que tomou a ação legalmente como presidente iraquiano em resposta a uma tentativa de assassinato”. 

TESTEMUNHAS FABRICADAS  

Outros líderes iraquianos sequestrados pelo invasor, como o vice-presidente Taha Ramadan, denunciaram as provas forjica-das, as testemunhas fabricadas e outras fraudes a cargo do ‘promotor’-chefe Al Moussadi. “Como podemos estar certos sobre a credibilidade de uma testemunha?”, questionou, diante das cenas de vozes saindo de trás de uma cortina e manipuladas eletronicamente. Barzan declarou que era “ilegal trazer das ruas testemunhas sem nomes específicos e sem informação de quem se trata. Talvez essas testemunhas tenham algum motivo pessoal contra mim, então a identidade das testemunhas deveria ser clarificada”.

Acusados de origem mais modesta, que eram do Baas em Dujail na época, não se intimidaram com o lacaio e seus xeroxs. “Eu não tinha qualquer responsabilidade política, não dei informação contra ninguém, afirmou Ali Dayih, que adiantou que nomes constantes das supostas listas são de “parentes e vizinhos”. “É tudo forjado”. Abdulah Kazim Ruwaid e seu filho Mizhar também negaram que as “cartas” exibidas fossem de sua lavra. “A caligrafia não é minha, a assinatura não é minha”, reiterou Mizhar, apontando que era apenas telefonista. Ele argumentou, também, que o vocabulário usado na carta provava que não havia sido escrita por ele. “Eu terminei apenas o curso primário e o documento mostrado foi escrito por alguém com nível acadêmico”. Um dos advogados da defesa pediu para inspecionar os originais dos supostos documentos. “Não queremos um xérox de um documento, queremos o original de modo que possamos determinar se é verdadeiro ou uma falsificação”. Também foi denunciado que o ex-ministro do Interior, Saadon Shaker, por ter se recusado a “depor” contra Sadam vai passar de testemunha a “acusado”.

Encerrando, Sadam expressou o abismo que o separa dos renegados que se venderam a Bush: “Porque eu estou lhes dizendo que eu fiz isso? Porque eu assinei o decreto. Se eu não quisesse assinar, não teria assinado, porque o ataque aconteceu contra mim, ninguém poderia me forçar a assinar o decreto”. “Então porque vocês estão trazendo esse homem, esse camponês de Dujail?”, insistiu o presidente, referindo-se a um dos acusados mais modestos, Abdulah Kazim Ruwayyid. “Vocês sabem o que Sadam Hussein dizia quando era o líder: “eu sou responsável; então quando as coisas ficam difíceis ele diria ‘não, Abdulah foi o responsável’? “Não Sadam Hussein não faria isso, e vocês sabem disso. Ele não é esse tipo. Nos tempos difíceis, Sadam Hussein carrega as pessoas nos seus ombros”. 

ANTONIO PIMENTA   

Voltar

Paginas: 1 2  3  4  5  6  7  8