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Carnaval da integração latina levanta Sapucaí A Vila Isabel tomou conta do Sambódromo cantando a autodeterminação das nações, a riqueza cultural e a miscigenação que compõem a identidade da América Latina. As tradicionais Mangueira e Portela, e a Viradouro, também empolgaram mostrando em belos desfiles a cara e alma do Brasil onvocando a integração dos povos latino-americanos, a Unidos de Vila Isabel tomou a Marquês de Sapucaí cantando a autodeterminação das nações, a riqueza cultural do folclore e de nossas tradições que, com a miscigenação, compõem a identidade da América Latina. Consagrada campeã do carnaval deste ano com o enredo “Soy loco por ti, América – A Vila canta a latinidade”, a escola também exaltou o espírito revolucionário que sempre fez parte dos povos que formam a América Latina e destacou alguns de seus principais líderes. Trazendo
para a abertura do desfile astecas, incas e os índios brasileiros, a escola
remontou a história de formação da cultura e o folclore latino-americanos,
representados também pelas tradições que sobrevivem até hoje com o carnaval
da Bolívia, o Bumba-Meu-Boi, entre outros. COLONIZADORES Dentro disso, a tradicional Festa dos Mortos mexicana foi representada na avenida com suas famosas caveiras que também foram utilizadas para representar a destruição feita pelos colonizadores europeus ao desembarcarem no Novo Mundo. “Representamos a chegada do conquistador, que trouxe a morte espiritual. Na época, as crenças e culturas locais foram massacradas. As caveiras também serviram a esse fim”, ressalta o carnavalesco da escola, Alexandre Louzada. Para finalizar seu desfile, a escola fez uma homenagem a Simon Bolívar, representado em estátua de 13 metros, que, de certa forma, destoou do conjunto da alegoria formada por outros grandes heróis latino-americanos como Tiradentes e Ernesto “Che” Guevara, que foram representados em pequenos retratos que circundavam o carro. Neste mesmo carro também estavam as bandeiras de todos os países da América Latina que resumiam o enredo da escola, marcado pela união dos povos e a afirmação da nossa identidade latina. Deve-se
também destacar que, utilizando-se de um enredo pouco comum no carnaval, ao se
voltar para as tradições culturais de diversos países, faltou um pouco de
alegorias que remetessem mais ao Brasil, como é tradição em nosso carnaval e
que sempre é utilizado como principal fonte para a criação dos carnavalescos. MANGUEIRA Outro destaque do carnaval deste ano foi a Mangueira, tradicional escola carioca que este ano ficou com o quarto lugar. Com o enredo “Das águas do Velho Chico, nasce um rio de esperança”, e escola inundou a Sapucaí contando a história do Rio São Francisco, sua extrema importância para o desenvolvimento das populações que dele tiram sua subsistência e produção. A transposição das águas do Rio São Francisco também foi tratada pela escola, simbolizada através do grande desenvolvimento que a obra trará para toda a região que passará a ser banhada pelo rio. “Dividi o enredo em duas partes: na primeira, lembrei o Velho Chico, suas lendas e tradições. Na segunda, falei do progresso que a região poderá ter com a transposição”, explica Max Lopes, carnavalesco da Estação Primeira. Com
Jamelão puxando o samba enredo, a escola abriu seu desfile retratando em sua
comissão de frente a vida das populações ribeirinhas, tendo como inspiração
as carrancas e cores pintadas por Cândido Portinari. PORTELA Mesmo com a chuva que caiu desde o início de seu desfile, a Portela arrebatou a Sapucaí com um desfile simples e original, digno da escola que mais tem títulos no carnaval carioca. Depois do incidente ocorrido no desfile do ano passado, onde sua tradicional velha guarda foi impedida de desfilar para não ultrapassar o tempo do desfile, a escola fez questão de trazer no carro abre-alas aqueles que construíram sua história e que simbolizam o azul e branco da agremiação. Descartando
a tendência de carros gigantescos, a escola utilizou alegorias tradicionais
para cantar o Brasil e seu povo em seu desfile. VIRADOURO Para homenagear os principais expoentes da arquitetura brasileira, a escola de samba Viradouro encantou o público com o enredo “Arquitetando a folia”. Como não poderia faltar, o principal homenageado foi nosso grande Oscar Niemeyer. Para isso, a escola trouxe para a Sapucaí sua imensa contribuição, desde a construção de Brasília até o Museu de Arte Contemporânea, em Niterói, sem se esquecer do Sambódromo. Não somente a beleza das grandes obras foram trazidas pela escola, mas também a realidade arquitetônica que traduz as condições de vida da população brasileira. “Fazer um carnaval com plumas e frufrus é muito fácil. Difícil é reproduzir a realidade. No caso, as favelas cariocas”, ressaltou o carnavalesco da escola, Milton Cunha. RICARDO FERNANDES |