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Na edição anterior, o HP deu um vôo rasante e
desmanchou-se em elogios ao U2. “Contestação, Consciência e Esperança
marcam o show da banda U2 no Brasil” era o título da matéria. No deserto de
idéias e atitudes que se converteu o rock midiático é possível que o U2 não
seja mesmo dos piores. Mas é o que de melhor pode ser dito do grupo. Afinal, a
condição de mascote da campanha do Foro de Davos sobre a “Guerra contra a
Pobreza na África” não chega a ser um indicador do grau de “consciência”
e “voz própria” que a matéria atribuiu à banda. A visita ao presidente
Lula foi uma iniciativa simpática. Porém, o mesmo não pode ser dito da
declaração do vocalista Bono, pouco antes da invasão do Iraque: “Eu sou
totalmente a favor do presidente Bush tentar assustar o Sadam Hussein, mas é
preciso levar junto o resto do mundo...eu os apóio, mas só até o ponto deles
entrarem em guerra sem a aprovação da ONU”. Sempre se pode argumentar a
favor de Bono que ele não foi o único a acreditar nas “armas de destruição
em massa” e outras fantasias sobre o Iraque e seu presidente manipuladas como
pretexto para a agressão. Mas o desapego revelado na declaração ao princípio
da autodeterminação dos povos expressa bem a natureza do “pacifismo” que
ele professa. Como se não bastasse trocar alhos por bugalhos, articulista e
editoria houveram por bem tomar as dores do U2 contra a “Folha de S. Paulo”
que publicou matéria questionando a sinceridade de propósitos do grupo,
tratando-a de “mídia servil” e “capachos”, termos que não empregamos
no HP sem que haja uma forte razão para tal. Foi um erro grave, porque não se
pode lançar mão de forma irrefletida e leviana desse tipo de tratamento. E já
que estamos com a mão na massa, pedimos também desculpa ao leitor por havermos
escrito, na mesma edição, em título na primeira página, “preço da tarifa
telefônica” ao invés de “preço da ligação telefônica”. |