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BC mantém juros altos e entrava a meta de crescimento de 5% BC está “alheio à opinião dominante do governo” e não está preocupado com a “ridícula taxa de crescimento” da economia, disse Paulo Skaf, presidente da Fiesp O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu manter os juros reais nas alturas ao promover um corte de apenas 0,75 ponto percentual na Selic, a taxa básica de juros, que passou de 17,25% ao ano para 16,5%, sem viés, segundo nota divulgada à imprensa, o que implica que os juros ficarão neste patamar até 18 e 19 de abril, quando acontecerá a próxima reunião. A decisão de Meirelles e demais tecnocratas do BC é uma demonstração cabal da falta de compromisso com o País, além de ser uma afronta ao presidente Lula, que uma semana antes havia pedido ao presidente do BC uma redução de pelo menos um ponto percentual da Selic. E ao manter o Brasil comocampeão dos juros altos inviabiliza a proposta de Lula de crescimento de 5% em 2006. A
política de juros altos travou os investimentos em 2005, com variação de
apenas 1,6%, o que levou ao fraco desempenho do Produto Interno Bruto (PIB), com
um crescimento de 2,3%. JUROS
ESCORCHANTES Sem ameaças de algum descontrole inflacionário – pretexto utilizado pelo BC para manter os juros escorchantes -, a política monetária conduzida por Meirelles tem servido para desviar os recursos da produção para o setor financeiro. Só em 2005 foram gastos com juros R$ 140,9 bilhões e mesmo assim a dívida pública não parou de subir, totalizando em janeiro R$1.014,4 bilhões (51,6% do PIB). Para o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Armando Monteiro Neto, o resultado da reunião do Copom foi de “frustração”. “Esperávamos uma redução maior”, disse. O presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, considera que o BC está “alheio à opinião dominante do governo” e não está preocupado com a “ridícula taxa de crescimento” observada no ano passado. A Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) avalia que “a continuidade da queda dos juros básicos é uma pré-condição para maior crescimento da economia em 2006”. A crítica aos juros altos como se fosse a única solução para o controle da inflação e a esta se resumisse todos os males da economia foi criticada pelos trabalhadores. Para o presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), João Felicio, “essa espécie de patologia nos aprisiona a metas irrealistas de inflação e amarra o processo de desenvolvimento à pesada âncora que é a taxa básica de juros. A CUT insiste na abertura do Conselho Monetário Nacional à participação do setor produtivo, incluindo trabalhadores, e que o governo adote metas de crescimento e geração de emprego, às quais dedique o mesmo empenho hoje reservado à meta de inflação”. “Está mais do que claro que o problema não é a inflação, mas a continuidade desses senhores à frente do BC. Com eles, vai continuar a política de enxugar gelo, vai-se continuar derramando rios de dinheiro no ralo dos juros e a economia vai continuar estagnada”, afirmou o vice-presidente da Central Geral dos Trabalhadores do Brasil (CGTB), Ubiraci Dantas de Oliveira (Bira). A decisão do BC também recebeu críticas do setor empresarial do comércio. “Ficam decepcionados, mais uma vez, os representantes do setor real da economia, que esperavam uma queda maior dos juros. Consideramos que tanto os indicadores de preços, como os de atividade econômica, justificariam uma redução maior, o que permitiria acelerar a atividade sem riscos para o controle da inflação”, afirmou Guilherme Afif Domingos, presidente da Associação Comercial de São Paulo (ACSP). Segundo Orlando Diniz, presidente da Federação do Comércio do Estado do Rio de Janeiro (Fecomércio-RJ), não há “nenhum impeditivo para um corte maior nos juros e observa que a lentidão na trajetória de queda da Selic impede uma retomada mais vigorosa da economia”. Com a alteração dos intervalos da reunião do Copom para 45 dias, a redução de 0,75 ponto percentual significa 0,5 ponto percentual mensal, em termos nominais, como vinha ocorrendo de setembro a dezembro do ano passado. O único fato positivo da reunião foi que a decisão não foi unânime e três dois seis membros do Copom votaram pela redução de um ponto percentual. |