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Câmara firma independência  inocentando Brant e Luizinho

Tradição de isenção da Casa, abalada pela cassação de Dirceu, falou mais alto que as pressões da “opinião publicada”

A Câmara dos Deputados sepultou na quarta-feira a chicana do mensalão ao rejeitar por ampla maioria de votos o pedido de cassação dos deputados Professor Luizinho, do Partido dos Trabalhadores (PT-SP), e Roberto Brant, do Partido da Frente Liberal (PFL-MG). Na primeira votação, o deputado Roberto Brant recebeu 283 votos favoráveis à manutenção de seu  mandato enquanto os votos pela cassação não passaram de 156. Dezoito parlamentares se abstiveram e houve apenas um voto em branco. Logo após a vitória de Roberto Brant, o deputado Professor Luizinho também foi absolvido com 253 votos a seu favor e apenas 183 contra, com três votos em branco e dez abstenções.

O Professor Luizinho era acusado de ter recebido 20 mil reais de empresa de Marcos Valério. Em sua defesa, o deputado afirmou que os recursos foram sacados por um assessor seu na época, sem que ele tivesse autorizado ou tido qualquer participação na transação. O deputado disse que desconhecia a operação, cujo objetivo foi financiar campanhas de quatro pré-candidatos a vereador pelo PT no ABC paulista. “Em nenhum momento eu menti para essa Casa. Quando foi colocado em dúvida se a pessoa sacadora tinha de fato sido meu assessor, pedi que investigassem”, afirmou. Por outro lado, ele reforçou que nunca pediu ou autorizou José Nilson dos Santos, o ex-assessor, a fazer saques das contas de Valério. Luizinho ressaltou que o próprio relatório do Conselho de Ética o inocentava. Mostrou reportagens que comprovavam essas suas afirmações.  

O deputado Roberto Brant se defendeu das acusações de que teria recebido recursos do suposto esquema do mensalão, denunciando o que ele chamou de “manipulação” da opinião pública. “Não recebi mensalão coisa nenhuma”, afirmou. “Esta opinião pública não representa o povo”, denunciou. “Temos que enfrentar essa chamada opinião pública”, enfatizou Brant. Ele afirmou que os recursos recebidos por ele foram uma doação da companhia siderúrgica Usiminas para a sua campanha à Prefeitura de Belo Horizonte, em 2004, e que a empresa de Marcos Valério “foi apenas uma intermediária”.

Em defesa do deputado Professor Luizinho discursaram de forma contundente os deputados Fernando Ferro (PT-PE), Givaldo Carimbão (PSB-AL) e Mussa Demes (PFL-PI). “Não podemos permitir que o homem inocente seja cassado por acusações infundadas”, argumentou Ferro. “Conheço o deputado Professor Luizinho há muitos anos e sei que essas acusações são falsas e fazem parte do jogo político que tomou conta do país nos últimos meses”, prosseguiu. Já o deputado do PSB Givaldo Carimbão foi enfático e direto: “O deputado Luizinho não teve nada a ver com esses recursos. Eles foram usados para as campanhas de quatro candidatos a vereador da Grande São Paulo. Cada um deles recebeu R$ 5 mil dos recursos levantados pelo assessor do deputado Luizinho junto a Delúbio Soares”, afirmou. “Esses R$ 20 mil não foram usados em benefício do deputado Luizinho”, completou.

 O relatório do Conselho de Ética, que foi desqualificado pelo plenário da Câmara, e que pedia a cassação do deputado Luizinho, foi lido pelo deputado Orlando Fantazzini, do Psol-SP. Sua enfadonha argumentação a favor da cassação do Professor Luizinho não sensibilizou os parlamentares presentes à sessão da Câmara dos Deputados. Fantazzini, inclusive, até hoje não conseguiu explicar direito aos seus pares como conseguiu se eleger em São Paulo, o estado onde a eleição é a mais cara do país, gastando apenas R$ 130 mil, como ele declarou em sua prestação de contas ao Tribunal Regional Eleitoral do Estado. 

Depois da fracativa argumentação de Fantazzini, seguiu-se uma sequência de discursos de outros integrantes do Psol, todos eles cumprindo o papel de porta-vozes histéricos da chicana golpista. Nessa hora o plenário quase perdeu a paciência. Os psolistas berraram que a Câmara  era “corporativista”, que estava “anestesiada” e outras baboseiras. Nada disso conseguiu mudar a decisão soberana dos deputados de enterrar de forma categórica a farsa do mensalão.

O deputado Chico Alencar, do Rio de Janeiro, por exemplo, fez insinuações de que teria havido um acordo para a absolvição dos acusados, de que o país ficaria perplexo com a decisão a favor dos dois parlamentares, mas não tocou no palpitante tema de como ele também conseguiu se eleger pelo Rio de Janeiro, outro estado onde a eleição para deputado federal é uma das mais caras do país, gastando a módica quantia de R$ 65 mil, como está em seu relatório ao TRE-RJ. É por essas e por outras que o deputado fluminense passou a ser conhecido nas rodas políticas brasilienses como “Chico Baratinho”.

SÉRGIO CRUZ  

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