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João Paulo Cunha repudia infâmia: “Não cometi nenhum crime, não peguei nada, não me locupletei” O deputado João Paulo Cunha (PT-SP) desmoralizou a ridícula acusação de que ele, como presidente da Câmara dos Deputados e um dos líderes do Partido dos Trabalhadores, tenha recebido dinheiro de um suposto esquema de “mensalão” para votar nas propostas de seu próprio governo. “Não cometi nenhum crime. Não peguei nada para mim, não me locupletei, nem eu e nem ninguém do PT”, afirmou o deputado. “Espero que este conselho possa atestar sua coragem e responsabilidade que lhe cabe com a minha absolvição”, afirmou João Paulo, em seu discurso no Conselho de Ética. Ele desmontou uma por uma as insinuações feitas pelo relator, deputado Cezar Schirmer. “Até agora não acharam uma vírgula, e não vão achar. E podem quebrar o meu sigilo; quebraram o do Zé Dirceu, quebraram o do próprio Delúbio, e não encontraram nada”, argumentou o ex-presidente da Câmara. “Que crime eu cometi?”, indagou. “Recebi um recurso oriundo da tesouraria do PT. Ele foi gasto dentro do PT, com notas fiscais, com comprovante, com trabalho legalizado, tudo”, enfatizou. João Paulo disse que o dinheiro era um pagamento do Diretório Nacional do partido que seria usado em pesquisas de opinião em Osasco, região metropolitana de São Paulo. “Se a gente vir o que foi manuseado, até agora, de recursos, e comparar com duas ou três privatizações do governo Fernando Henrique, você vai ver que não tem comparação, não tem dado comparativo. E não teve CPI, ninguém quebrou sigilo de pessoas ligadas ao governo FHC”, denunciou João Paulo. “Agora eles dizem que é “a maior corrupção da República. Isso é jogo político”, denunciou. “Vamos lembrar que hoje Juscelino Kubitschek é retratado em mini-séries de TV como o grande presidente. Mas na época ele era combatido e uma das coisas de que o acusavam era de corrupção”, frisou. “Aliás”, prosseguiu João Paulo, “Getúlio Vargas, quando se suicidou, em 1954, a carta testamento dele diz do mesmo jeito: que era um mar de lama, que o Brasil vivia um mar de lama etc. Quer dizer, essa história se repete”, prosseguiu. “Foi com essa política que eles acusam que nós elegemos o presidente Lula, que está fazendo uma grande transformação no país, e vamos continuar fazendo”, argumentou. O relatório do deputado Cezar Schirmer (PMDB-RS), pedindo a cassação de João Paulo, não tem, segundo a nota do parlamentar, “nada de novo”. “O que há de novo é a sua criatividade e a capacidade de colar peças segundo a sua conveniência e interesse”, disse. “Tudo tem e terá respostas”, frisou João Paulo. “Como eu disse, não cometi crime algum. Procurei a
tesouraria de meu partido para fazer frente as despesas de campanha”,
acrescentou. Sobre o contrato da SMP&B com a Câmara, João Paulo ataca as
ilações do relator e salienta que “não houve nenhuma irregularidade”. O
relator Cezar Schirmer, aliás, vem sendo bastante questionado, e ainda não
explicou, como usou como domicílio eleitoral, um terreno baldio em Santa Maria,
no interior gaúcho, quando na verdade ele reside na capital. |