|
1
2 3
4 5
6 7 8|Índice|
Biblioteca|Assinatura|Expediente|Cartas|Não tropece na Língua |
|
|
|
Terminator é a semente da morte contra alimentação e economia Conferência sobre Biodiversidade, em Curitiba, deve sepultar de vez chantagem das multinacionais pela imposição da sua semente suicida Concebida para impedir que os agricultores reproduzam suas próprias sementes, obrigando-os a desembolsar montanhas de dinheiro a cada nova colheita, a tecnologia transgênica Terminator é a semente da morte. Estéril e assassina, com alto poder de aniquilar e contaminar as demais, ela amplia o monopólio e a dependência da meia dúzia de multinacionais que controla o setor, trazendo graves prejuízos para a alimentação da população, para o meio ambiente e às próprias economias nacionais, que passariam a ter de desembolsar cada vez mais royalties a partir do desaparecimento da sua biodiversidade. “No final dos anos 90, o governo dos EUA desenvolveu, junto à companhia de sementes Delta & Pine Land, a tecnologia transgênica Terminator para produzir sementes estéreis de segunda geração. As sementes ‘assassinas’ não têm nenhum sentido, salvo para as empresas”, denuncia a pesquisadora Sílvia Ribeiro, do Grupo ETC, do México. De acordo com ela, na última década, 10 multinacionais passaram a controlar 49% do comércio mundial de sementes: “as três maiores, Monsanto, Dupont-Pioneer e Syngenta, controlam 32% do mercado global de sementes e 33% das vendas mundiais de agrotóxicos. Junto à Delta & Pine detêm 86% das patentes sobre variações da tecnologia Terminator e dominam a investigação agrícola industrial global”. Apesar do seu isolamento crescente, as multinacionais detentoras de patentes de Terminator voltaram à carga e tentam reverter a moratória determinada pela ONU desde 2000 - quando o Convênio de Diversidade Biológica (CDB) pronunciou-se pela não permissão à sua experimentação e comercialização. Conforme Sílvia Ribeiro, o objetivo das múltis é romper a moratória e “lavar a imagem da tecnologia suicida-homicida, tendo como próximo campo de batalha a cidade de Curitiba”. Baluarte brasileiro contra os transgênicos, o Paraná sediará de 13 a 31 de março a 3ª Reunião das Partes sobre o Protocolo de Cartagena e a 8ª Reunião das Partes sobre a Convenção sobre a Diversidade Biológica, com a participação de representações governamentais que debaterão, entre outros temas, transgênicos, biopirataria e lei de patentes. Paralelamente aos eventos, os movimentos sociais realizarão atividades, fiscalizando os encaminhamentos das delegações oficiais. “Esta é a ocasião para que se tome uma posição firme e definitiva pela proibição da tecnologia Terminator, que tem um aspecto daninho, imoral e catastrófico. Não proibi-la significa seguirmos convivendo com essa terrível ameaça à humanidade”, declarou Temístocles Marcelos Neto, coordenador da Comissão Nacional do Meio Ambiente da CUT. Na sua avaliação, com a liberação, “não demoraria muito para estarmos à mercê de meia dúzia de corporações que controlariam a maior parte da cadeia alimentar”. Os riscos são evidentes, enfatizou Sílvia Ribeiro, lembrando que, anos após anunciar que Terminator é para proteger suas patentes e monopólios, agora as multinacionais inventaram que é para a “biosseguridade”, porque, ainda que as sementes se cruzem, “não contaminariam”. “Isto é outra falácia, já que Terminator é uma construção genética de reação em cadeia e se não se aplica um detonante químico, as plantas poderiam cruzar-se por várias gerações, sem que ninguém interrompa, até que uma fumigação as ative e devaste os campos. Se estiverem ‘ativadas’, as plantas Terminator se cruzarão con os campos vizinhos e com parentes silvestres, voltando-se estéreis. Não existem ‘casos’ en que o Terminator não seja uma tecnologia assassina. O único caminho é fortalecer a moratória, convertendo-a em proibição dessa tecnologia em escala global e nacional”, concluiu a pesquisadora. LEONARDO SEVERO |