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Pagão, espaço encurtado

ARIOVALDO IZAC *

O inesquecível Santos das décadas de 50 e 60 de vez em quando também derrapava e um exemplo claro foi no dia 15 de agosto de 1963, na goleada sofrida para o São Paulo por 4 a 1. Acreditem: para tentar escapar de um vexame histórico, o time do Peixe optou pelo reprovável cai-cai aos 7 minutos do segundo tempo, isso é, simulações de contusões, para ficar com número insuficiente de jogadores em campo e provocar a paralisação da partida. Pelé e Coutinho haviam sido expulsos no primeiro tempo, o lateral Aparecido ficou no vestiário no intervalo e Dorval e Pepe fizeram o ca-cai.

Saibam, também, que o ex-santista Pagão marcou o quarto gol são-paulino naquela partida. Ele parecia um boleiro com gana de vingança. A bola parecia grudar em seus pés.

Pagão era um ponta-de-lança diferenciado já nos tempos de Portuguesa Santista, no início de carreira, e dirigentes do Santos foram buscá-lo em 1955, para substituir Del Vecchio, outro lendário jogador que, naquela temporada, comemorou o título paulista num time com os atacantes Alfredinho Sampaio, Del Vecchio, Álvaro, Vasconcelos e Tite. Pagão era o típico goleador que vinha buscar a bola, tinha excelente visão de jogo e colocava os companheiros de ataque na “cara” do gol, ou então ele mesmo completava as jogadas. Em 1956, por exemplo, foi artilheiro do Santos no Paulistão com 34 gols. 

CATEGORIA 

Foram tempos que “brotavam” pontas-de-lança categorizados no Santos. Com o aparecimento de Pelé na Vila Belmiro, santistas do passado se deliciaram com a dupla Pelé-Pagão, só desfeita com a chegada de Coutinho, que se tornou o novo parceiro do “rei” a partir de 1958. Com espaço encurtado na Vila Belmiro, Pagão trocou o Santos pelo São Paulo em 1962 e, no novo clube, jogou durante três anos em substituição ao leve e rápido Prado. O encerramento da carreira deu-se em 1968 onde começou: na Briosa.

Curioso é que Pagão não teve o mesmo reconhecimento dos santistas como a leva de Pelé-Coutinho. Diretoria do Peixe e Prefeitura de Santos procuraram reparar a injustiça ao colocar o nome dele, Paulo Cesar Araújo, para o Centro de Memória do clube. Pagão morreu em 1991, por falência do fígado, aos 56 anos de idade. 

INSPIRAÇÃO 

Em vida, Pagão foi fonte de inspiração para composições de Chico Buarque de Holanda. Depois disso, nas costumeiras conversas com amigos, lembrava os bons times que o Santos montou antes e depois de sua chegada na Vila Belmiro. Recordava o ataque de 1953 com 109 (apelido do jogador), Nicário, Antoninho, Odair e Tite.

 Desde aquela época boleiros santistas mostravam vocação para continuar no futebol como treinador. Foram os casos de Antoninho, Alfredinho Sampaio, Pepe, Coutinho e Chico Formiga, entre outros. Antoninho foi um centroavante oportunista e, como treinador, parecia ter cadeira cativa no Botafogo de Ribeirão Preto (SP), cidade onde vive. Seu filho também foi jogador: Régis, volante da Ponte Preta.

Alfredinho, ponteiro-direito e centroavante dos bons do Santos, está radicado em Ribeirão Preto e nunca escondeu a ligação estreita com o Comercial, onde encerrou a carreira de jogador em meados da década de 60.

Incontinenti, foi ser treinador e hoje está aposentado. Ele ganhou o apelido de Bruxo porque tinha o carisma de livrar equipes de rebaixamento. “Salvei 18 equipes desesperadas”, costumava dizer.

*É jornalista em Campinas e colaborador do HP 

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