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Roberto Requião: “Derrotamos os inimigos do PR e do Brasil”

“Ganhou o Paraná, ganhou o Brasil. Nosso Paraná continuará sendo um Estado forte e faremos um grande governo daqui para frente, melhor ainda do que foi o governo que estamos terminando”, afirmou o governador

“Tivemos uma extraordinária vitória política no Paraná”, afirmou o go-vernador reeleito Roberto Requião. “Contra nós e a nossa proposta se uniram todos os interesses que foram contrários ao Paraná e os derrotados do governo anterior. Nós enfrentamos o pedágio, os banqueiros que tomavam conta dos recursos do Paraná e que foram substituídos pela Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil, os privatistas da Copel e da Sanepar, que foi retomada para o controle do governo do Estado, e os representantes de todas as concorrências anuladas, que apenas no setor de informática alcançaram a R$ 450 milhões”, disse o governador completando: “O programa de governo foi confirmado. Ganhamos a eleição com jogo-duro e um decidido apoio popular”.

Reeleito com 50,1% dos votos, em uma acirrada disputa  com seu adversário Osmar Dias (PDT) até o final da apuração, Requião afirmou que vai governar o Estado em comunhão com o presidente Lula: “Será uma parceria em defesa dos interesses do Brasil, com uma opção muito clara pelos mais pobres”. De acordo com Requião, “a nossa relação será bem diferente do que foi no primeiro governo, pois acredito que haverá modificações na política econômica. Estou de coração e alma abertos a colaborar com o governo federal”. O governador deverá se encontrar com o presidente Lula na próxima semana em Brasília.

“Eu tenho certeza que o Lula aprendeu muito nesse processo, como nós aprendemos também e faremos um governo conjunto a favor do Brasil, a favor do desenvolvimento, da ética na política e da punição de culpados, que venham a ser encontrados em qualquer partido”, afirmou o governador, considerando que “a perfeição não existe no Paraná, não existe no Lula, não existe no Requião, não existe em nenhum de nós. Queremos uma política nacional ideologizada, de defesa dos interesses do Brasil”.

Segundo ele, “o Partido dos Trabalhadores no Paraná passa a ser governo”. Requião disse que de seu governo também participarão “os tucanos do bico vermelho, aqueles que têm sensibilidade social e nos acompanharam”, referindo aos prefeitos e deputados do PSDB  que apoiaram a sua reeleição.

O governador também criticou o comportamento da mídia durante  a eleição. “Nós enfrentamos grupos poderosos, como a Rede Paranaense de Comunicação, vimos o Paraná sendo agredido pela Gazeta do Povo em um comportamento que nunca foi de jornalismo sadio, uma coisa marrom. Enfrentamos grandes grupos econômicos”, disse o governador acusando manipulação nas pesquisas: “Jamais houve empate técnico, o que houve foi manipulação, pesquisas não verdadeiras colocadas na televisão em órgãos de comunicação muito suspeitos. Nos nunca estivemos atrás nem no primeiro e nem no segundo turno. Mas houve um esforço brutal e dos meios de comunicação vinculados aos que não são os interesses populares que nós representamos”. 

ESTADO FORTE 

Requião considerou que os inimigos do Brasil e do Paraná foram derrotados nas urnas. “Ganhou o Paraná, ganhou o Brasil. Nosso Paraná continuará sendo um Estado forte e faremos um grande governo daqui para frente, melhor ainda do que foi o governo que estamos terminando. Estou profundamente alegre, satisfeito com os paranaenses porque derrotamos os inimigos do Paraná e do Brasil”.

O governador se comprometeu a dar continuidade aos projetos desenvolvidos em sua gestão, dizendo que “todas as propostas terão continuidade e acerto de alguns projetos com prioridade para educação, saúde e continuaremos com o grande apoio a agricultura”. “Já acertamos a conclusão das obras em 24 hospitais e o concurso para 4 mil profissionais de saúde”, informou o governador que está licenciado e reassume o cargo na próxima semana.

Requião defendeu mudanças na política econômica e o fim da guerra fiscal entre os estados. “O que nós precisamos é de uma reforma da política econômica. Acho que a reforma tributária deve se resumir ao fim da guerra fiscal”, afirmou.

Lembrando que até 1988, 80% da arrecadação federal era integrada pelo Imposto de Renda e pelo IPI, impostos que eram compartilhados com Estados e municípios, Requião considerou que “depois de 88, as contribuições financeiras não compartilhadas, que significavam apenas 20%, cresceram para 60% até 80%. O IPI e o Imposto de Renda caíram para 40%. Os estados e municípios tiveram cortado pela metade os seus recursos. Temos que restabelecer a distribuição de recurso na forma da constituição. Temos que acabar com a guerra fiscal e restabelecer a divisão dos recursos. Basta uma emenda constitucional para isso”.

LUIZ ROCHA

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